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Celeste ressurge mais ousada em Woman Of Faces: um manifesto contra narrativas frágeis e expectativas impostas

Com Woman Of Faces, seu segundo e mais ambicioso álbum, Celeste retorna com a integridade artística afiada e uma coragem que ecoa muito além da superfície. A cantora e compositora britânica, que já havia se destacado com o aclamado Not Your Muse (2021), agora mergulha em territórios mais amplos, cinematográficos e emocionalmente complexos — reivindicando, de forma contundente, sua autonomia enquanto mulher e artista.

Depois de experimentar o lançamento de um disco nº1 em plena pandemia, Celeste finalmente vive a troca direta com seu público ao apresentar as faixas inéditas em shows intimistas pelo Reino Unido. “É no palco que me sinto verdadeiramente vista”, ela tem repetido — e a recepção revela o impacto do novo repertório, marcado pela intensidade vocal e pela profundidade das composições.

Woman Of Faces é um trabalho que desafia a previsibilidade do pop tradicional: entre baladas grandiosas (“On With The Show”, a faixa-título inspirada em Liza Minnelli) e momentos de empoderamento visceral (“Time Will Tell”, “This Is Who I Am”), Celeste abre espaço para experimentações mais sombrias e eletrônicas, como a explosiva “Could Be Machine”. A faixa, escrita em meio a episódios de assédio digital e perseguição online, dá corpo à tensão entre tecnologia, vulnerabilidade e autoafirmação.

Produzido pelo premiado Jeff Bhasker (Harry Styles, Lana Del Rey), o álbum também carrega arranjos de cordas de Rosie Danvers, reforçando a estética cinematográfica que atravessa o projeto. Ainda assim, por trás da grandeza sonora, emerge o tema central do disco: a luta constante de Celeste para não ser moldada por expectativas externas — especialmente em um mercado dominado por narrativas masculinas.

A artista fala abertamente sobre a pressão que recai sobre cantoras jovens, frequentemente conduzidas por produtores e compositores que reproduzem velhas fórmulas: mulheres frágeis, feridas, à espera de amor masculino. “Essa narrativa de estar quebrada aos pés de um homem é profundamente não empoderadora”, afirma Celeste, que busca romper com ciclos de tragédia, submissão e estereótipos.

É também um momento de redefinir sucesso: ser gigante, sim — mas sem abrir mão da autenticidade. E, com Woman Of Faces, Celeste prova que grandeza artística nasce da coragem de olhar para si mesma com franqueza e desafiar quem tenta escrever sua história por ela.

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