Future Islands projetam um novo futuro após tempos turbulentos: “É como se uma vida totalmente nova estivesse começando”
Durante sua passagem pelo Mad Cool 2025 em Madrid, o Future Islands refletiu sobre o momento atual da banda e o impacto emocional do álbum People Who Aren’t There Anymore, lançado em 2024 — acompanhado do single “Glimpse”. O disco marcou uma virada profunda na trajetória pessoal e artística do grupo, e agora, já em um novo capítulo de vida, seus integrantes começam a vislumbrar ideias para o próximo trabalho, embora nenhum novo material tenha sido lançado em 2025.
No festival, o vocalista Samuel T. Herring e o baixista William Cashion conversaram sobre mudanças intensas que moldaram o álbum de 2024, seu processo de reconstrução e como enxergam o futuro após um período de incertezas e transição.
Um álbum que exigiu tudo — e devolveu clareza
People Who Aren’t There Anymore nasceu de despedidas, deslocamentos e rupturas pessoais. Herring descreve o disco como um dos mais vulneráveis do Future Islands, resultado de histórias difíceis que precisaram ser transformadas em música:
“Esse álbum foi realmente duro. Histórias muito difíceis da minha vida”, disse o vocalista. “Mas qual é o sentido de ser artista se você não for honesto consigo mesmo? A dor que você segura é o que permite que outras pessoas liberem a delas.”
Cashion concorda e encara a era do álbum como um ponto de transição fundamental:
“É como uma vida totalmente nova começando — para o Future Islands e para cada um de nós. Saí de Baltimore depois de 14 anos, o Sam também mudou, ambos passamos por separações, e agora recomeçamos. Esse período foi um divisor de águas.”
Do palco para o renascimento
No Mad Cool, o Future Islands reiterou por que seus shows são considerados experiências catárticas. Entre performances intensas e momentos viscerais, a banda mostrou que sua energia ao vivo — desenvolvida ao longo de mais de 800 apresentações — continua sendo a espinha dorsal do projeto.
Herring lembra que os anos tocando como trio com bateria eletrônica moldaram sua presença explosiva:
“Foram uns 700 shows só nós três. Foi ali que entendemos o que era o Future Islands no palco, descobrimos como trazer o caos e a energia do punk mesmo sem um baterista.”
O futuro: ideias nascendo, sem pressa nem anúncios
Embora nenhuma nova música tenha sido lançada em 2025, a banda confirma que o processo criativo já começou — ainda sem detalhes, datas ou previsões de lançamento.
Cashion contou que algumas ideias resgatam a energia frenética dos primeiros anos da banda, enquanto outras apontam para territórios ainda não explorados.
Herring brincou:
“Tem uma música que, na minha cabeça, vai acabar em todo comercial de carro do mundo — de tão boa. Mas posso estar errado!”
Nada concreto foi anunciado, mas o grupo deixa claro: o próximo trabalho está germinando, e nasce de um momento muito mais estável, reconectado e pacífico.
Depois da tempestade, novos ciclos
Hoje, com novas cidades, novos amores e uma nova perspectiva, o Future Islands encara o pós-People Who Aren’t There Anymore como a abertura de um capítulo mais luminoso — ainda ancorado no mesmo compromisso emocional que os consagrou.
“A vida é feita de ciclos”, disse Herring. “Você passa por momentos duros, depois encontra paz… até que outra fase difícil chegue. É assim que seguimos: vivendo, escrevendo, transformando tudo em música.”
People Who Aren’t There Anymore (2024) segue disponível em todas as plataformas. O Future Islands se apresenta novamente em agosto no Osheaga Festival, em Montreal — ainda celebrando a força duradoura de seu último e mais íntimo trabalho.
