Grizzly Bear está de volta — e quer tocar os lados B que os fãs sempre pediram
Após seis anos longe dos palcos, o Grizzly Bear volta a respirar o mesmo ar dentro de uma sala de ensaio — e, ao que tudo indica, com um entusiasmo renovado. A banda, uma das mais influentes da era dourada do indie dos anos 2000, inicia sua nova fase com uma série de cinco shows no Brooklyn Steel, em Nova York, marcando o início de uma turnê que promete abraçar todas as eras de sua discografia.
Sem anunciar oficialmente um hiato, o grupo — formado por Daniel Rossen, Ed Droste, Chris Taylor e Chris Bear — simplesmente deslizou para a vida adulta, cada um explorando novos trabalhos, colaborações e geografias. Agora, porém, os quatro se reencontram com uma calma madura e uma chama quase adolescente. “É como reencontrar um antigo reflexo no espelho”, define Rossen, ainda surpreso com o tempo que passou.
De volta ao estúdio, a banda revisita canções que não tocava há mais de uma década, desenterrando pérolas escondidas que os fãs sempre sonharam ouvir ao vivo. A ausência de um álbum para promover transformou a turnê em uma celebração livre: mergulhos profundos na discografia, redescoberta de arranjos, revisões sentimentais de um catálogo que marcou gerações.
Chris Taylor, sempre o mais empolgado do grupo, admite que a faísca reacendeu naturalmente. “Nós voltamos porque sentimos falta de tocar juntos. É simples assim. Não é nostalgia — é reencontro.” Ele também promete mudanças significativas nos repertórios: cada noite terá um setlist completamente diferente, equilibrando clássicos, favoritos dos algoritmos e, claro, os tão pedidos lados B.
Os anos afastados também geraram novas perspectivas. Rossen revisita músicas antigas como se fossem cartas enviadas por um estranho familiar. Taylor revive memórias psicodélicas de estúdio enquanto redescobre o próprio som ao vivo. E os dois concordam em algo: tocar juntos traz uma espécie de equilíbrio emocional que nenhuma carreira solo substitui.
Por ora, não há planos para um novo álbum — apenas a vontade de tocar, experimentar, reencontrar o público e ver até onde essa reconexão pode levá-los. Mas há uma certeza: o Grizzly Bear está vivo, mais leve, mais sábio, e pronto para mostrar que algum silêncio só existe para amplificar o próximo acorde.