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Pulp – “The Man Comes Around”: Uma reinvenção elegante e inesperada do clássico de Johnny Cash

Em um movimento tão improvável quanto irresistível, o Pulp retorna pós-More com um gesto artístico que reafirma sua imprevisibilidade: uma releitura singular de “The Man Comes Around”, canção tardia e carregada de presságios escrita por Johnny Cash. Se Jarvis Cocker e o Homem de Preto compartilham apenas as iniciais, aqui eles encontram um terreno comum – a arte de transformar narrativas sombrias em algo profundamente humano.

Originalmente lançada em 2002 como peça central do álbum American IV: The Man Comes Around, a composição de Cash nasceu de um sonho envolvendo a Rainha Elizabeth II e se tornou um hino apocalíptico marcado por referências diretas ao Livro do Apocalipse. Imortalizada em filmes como Logan e Madrugada dos Mortos, a faixa ganhou uma aura cinematográfica que parecia distante do universo do Pulp.

A nova versão surgiu discretamente no mês passado, durante a exibição da série The Hack (ITV), e agora integra um 12” especial que reúne ainda duas faixas inéditas da era More: “Marrying For Love” e “Cold Call On The Hot Line”.

Onde Cash escolheu a secura austera do violão e a voz ferida pelo tempo, o Pulp opta por um groove easy-listening torto, saltitante e quase malicioso, uma moldura que surpreende, mas nunca desrespeita o peso do original. Jarvis Cocker, longe da ironia que muitos esperariam, entrega uma interpretação de fala-canto carregada de uma gravidade própria – teatral, observadora e estranhamente solene. Há até um piscar de olhos estilístico quando ele acentua “kick against the pricks”, evocando a cadência narrativa de Nick Cave.

O resultado é algo que só o Pulp poderia produzir: uma canção sobre o fim dos tempos reorganizada como um rito pop de estranha elegância, onde dança e desespero coexistem em perfeita tensão.

O 12” limitado de “The Man Comes Around” estará disponível exclusivamente nas lojas Rough Trade, com pré-venda iniciando hoje. Uma peça obrigatória não apenas para fãs, mas para quem aprecia quando a música se reinventa onde menos se espera.

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