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Kula Shaker – Wormslayer, psicodelia renovada e um futuro em espiral

Poucas bandas dos anos 90 conseguiram preservar a aura mística de sua estreia como o Kula Shaker. Agora, com a formação clássica reunida — Crispian Mills, Alonza Bevan, Paul Winterhart e Jay Darlington — o grupo retorna com Wormslayer, um álbum que parece determinado a expandir a própria mitologia sonora da banda. Se no passado o Kula Shaker foi sinônimo de psicodelia britânica temperada com espiritualidade indiana, aqui eles exploram um terreno mais sombrio, cinematográfico e imprevisível.

O novo single, “Good Money”, funciona como um manifesto dessa fase: uma peça carregada de energia sixties, wah-wah cintilante e um groove que flerta abertamente com soul e funk. É psicodelia, sim — mas filtrada por décadas de autoconsciência britpop, pelas ironias do showbiz e, como o próprio Mills sugere, por uma certa filosofia de sobrevivência. “É um metáfora para a vida”, dizem eles, como se o peso do tempo e da indústria se misturasse a cada linha, a cada gesto instrumental.

Há também um frescor inesperado em Good Money: a banda soa mais solta, mais divertida, quase atrevida ao se permitir brincar com suas próprias referências. O vídeo que acompanha a faixa acentua ainda mais esse espírito, mergulhando em estética vintage sem cair no pastiche.

O álbum chega em 30 de janeiro, trazendo não apenas os singles já conhecidos — “Charge of the Light Brigade” e “Broke as Folk” — mas também novidades que prometem expandir o espectro emocional e narrativo do grupo. A gótica “Little Darling” e a ambiciosa faixa-título “Wormslayer” apontam para um disco que pretende ser uma jornada, não apenas uma coleção de canções.

Crispian Mills afirma que o objetivo é criar uma experiência “cheia de curvas, produção caprichada e narrativa psicodélica”. E quando o vocalista diz que a banda é “apenas passageira” do próprio destino, é fácil acreditar: há uma sensação de fluxo inevitável, de que o Kula Shaker tinha mesmo que voltar agora — nesse momento em que o rock psicodélico, o folclore e o retrofuturismo estão mais vivos do que nunca.

A recém-anunciada turnê britânica de 2026 sugere que a banda está pronta para abraçar essa nova fase com força total. E se Wormslayer soar tão cheio de vida quanto Good Money indica, o Kula Shaker pode estar prestes a viver sua fase mais criativa desde K.


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