Horsegirl: da cena juvenil de Chicago à reinvenção do indie com Phonetics On and On
A trajetória da Horsegirl começa em Chicago, em 2019, quando três adolescentes — Nora Cheng, Penelope Lowenstein e Gigi Reece — transformaram amizade, experimentação e espírito DIY em uma das vozes mais refrescantes do indie rock norte-americano. Inseridas em uma cidade historicamente fértil para a música alternativa, o trio encontrou no caos criativo de Chicago o terreno ideal para testar limites, desconstruir referências e criar, ainda muito jovens, uma assinatura própria.
O primeiro grande passo veio com a assinatura na Matador Records em 2021, seguida do lançamento do álbum de estreia, Versions of Modern Performance (2022), que posicionou a banda como um novo nome-chave da cena indie. Entre guitarras angulares, vocais falados e melodias cheias de estranhamento, Horsegirl mostrava ali um talento raro para transformar referências clássicas — Sonic Youth, Electrelane, My Bloody Valentine — em algo fresco, leve e absolutamente autoral.
Com seu segundo álbum, Phonetics On and On, o trio de Chicago dá um passo decisivo rumo à consolidação de uma das vozes mais singulares do indie rock contemporâneo. Formadas ainda na adolescência, Nora, Penelope e Gigi sempre pareceram carregar um mapa secreto da história do rock alternativo — mas, desta vez, usam esse mapa apenas como referência distante. O foco agora é outro: a construção de um vocabulário próprio, lúdico e intimamente coeso.
Se em Versions of Modern Performance o encanto estava na colisão de influências e descoberta espontânea, Phonetics On and On é o momento em que o trio deixa de “se provar” para simplesmente existir. Produzido por Cate Le Bon, o disco abraça o minimalismo com a mesma naturalidade com que abraça a ruína: guitarras desalinhadas, melodias semi-sussurradas e batidas que parecem se reorganizar enquanto você escuta. Cada faixa funciona como um pequeno laboratório de texturas, ritmos e estranhezas calculadas.
Os singles “2468”, “Julie”, “Switch Over” e “Frontrunner” abrem as portas para esse novo universo — mais direto, mais teatral, mais consciente do próprio silêncio. É uma banda que entende que maturidade estética não significa perder o espírito juvenil, e sim refiná-lo.
Em meio ao lançamento do novo álbum, a Horsegirl também se prepara para sua aguardada apresentação no C6 Festival, em São Paulo, no dia 23 de maio de 2025. O trio integra um lineup de peso ao lado de Aline Rocha, Amaarae, BaianaSystem feat. Makaveli e Kadilida, Baxter Dury, Dijon, Marten Lou, Matt Berninger, The xx, Wolf Alice e, no Lab, Mabe Fratti. Um encontro entre diferentes vertentes da música contemporânea que promete colocar Horsegirl diante de um dos públicos mais apaixonados do mundo.
O resultado desse novo capítulo é claro: Horsegirl transforma fragmentos — frases faladas, riffs desalinhados, batidas reduzidas — em algo urgente, carismático e profundamente delas. Depois de se apresentarem ao mundo com promessas e potencial, Phonetics On and On confirma que o trio não está apenas olhando para seus ídolos; está escrevendo seu próprio alfabeto dentro do indie rock moderno.
