The Radio Dept. vs Labrador Records: a batalha judicial que marcou a carreira da banda
A batalha judicial entre o The Radio Dept. e a Labrador Records finalmente ganhou contornos claros com a exibição de uma longa e reveladora entrevista na Sveriges Radio, dentro da série Musikguiden i P3 – Följer pengarna (“Seguindo o dinheiro”). No programa, Johan Duncanson e Martin Carlberg falam abertamente sobre mais de uma década de conflitos contratuais que impactaram diretamente a carreira, a produção artística e os longos intervalos entre lançamentos da banda.
Na conversa conduzida pelo jornalista Jesper Engström, o The Radio Dept. expõe como a assinatura de contratos mal compreendidos no início dos anos 2000 — tanto de gravação quanto de publishing — acabou se transformando em um pesadelo jurídico. Jovens, sem assessoria legal e movidos pelo idealismo indie, Johan e Martin aceitaram termos que concediam à Labrador não apenas grande parte dos rendimentos, mas também a posse dos masters e dos direitos autorais das composições por toda a vida dos autores, mais 70–75 anos.
Com o sucesso do álbum de estreia Lesser Matters (2003) e a crescente relevância do publishing na era pós-colapso das vendas físicas, a banda passou a entender o real impacto financeiro e criativo desses acordos. O uso de músicas em Marie Antoinette, de Sofia Coppola, deixou claro o tamanho da fatia de direitos que haviam cedido — muitas vezes sem sequer receber adiantamentos, algo comum nesse tipo de contrato.
O conflito se aprofundou quando a banda percebeu que, apesar de bancar integralmente suas gravações, não possuía os masters. A frustração se refletiu diretamente na obra: menos EPs, menos singles e lançamentos cada vez mais espaçados. A situação chegou a um ponto em que Johan e Martin consideraram abandonar a banda.
Sem alternativa, o The Radio Dept. levou a Labrador Records aos tribunais — um movimento raro na indústria musical. Apesar de perderem o processo em primeira instância, as partes chegaram a um acordo antes da decisão final em grau de apelação. O desfecho garantiu à banda a recuperação do controle sobre seu catálogo e a possibilidade de seguir adiante, ainda que a um alto custo financeiro e emocional.
A entrevista não apenas explica os silêncios discográficos do The Radio Dept., como também contextualiza a criação do selo Just So!, marcando um novo capítulo de independência e aprendizado duro sobre os bastidores da indústria musical. Mais do que um caso isolado, a história serve como alerta para artistas emergentes sobre contratos, direitos e o preço da ingenuidade em um mercado muitas vezes implacável.
https://www.theradiodept.com/news/interview-the-radio-dept-vs-labrador-records-legal-battle
