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Quarteto japonês Mono retorna a São Paulo em abril

Existe algo de ritualístico em um show do Mono. Não apenas pela construção lenta das músicas ou pelas explosões sonoras que parecem suspender o ar, mas pela forma como o quarteto japonês transforma o tempo em matéria física. É essa experiência que retorna a São Paulo no dia 24 de abril de 2026, quando a banda se apresenta no Fabrique Club em uma noite que carrega peso histórico, estético e emocional.

A apresentação integra a turnê de OATH, 12º álbum de estúdio do grupo e um marco dentro de seus 25 anos de trajetória. Mais do que promover um disco, o show funciona como o encerramento simbólico de um ciclo criativo profundamente ligado ao produtor e engenheiro de som Steve Albini, parceiro essencial da banda por décadas e falecido em 2024. A realização é da Powerline Music & Books, com apoio da Heart Merch.

Desde o início dos anos 2000, o Mono se estabeleceu como uma das forças mais consistentes do post-rock, mas sempre à margem dos clichês do gênero. Sua música nasce do conceito japonês de mono no aware — a consciência da impermanência — e se manifesta em composições que caminham entre o silêncio absoluto e muralhas de som, sem jamais perder o controle emocional. Não há pressa, nem concessões técnicas: o grupo rejeita click tracks, metrônomos e correções digitais, apostando na respiração coletiva e na instabilidade natural do tempo.

Gravado no lendário Electrical Audio, em Chicago, OATH é inteiramente analógico e talvez o trabalho mais expansivo do Mono até aqui. Diferente da aspereza de discos como Rays of Darkness, o álbum investe em arranjos densos de cordas e metais, ampliando a música para algo próximo de uma pequena orquestra amplificada. O resultado é uma obra que trata da finitude não como colapso, mas como transformação — tema que atravessa toda a narrativa atual da banda.

Ao vivo, essa lógica se traduz em um repertório que atravessa eras. As apresentações de 2026 costumam se iniciar com faixas recentes como “Oath” e “Run On”, que introduzem texturas eletrônicas sutis e camadas orquestrais. Em seguida, o grupo revisita momentos de maior tensão, como “After You Comes the Flood”, de Nowhere Now Here, antes de encerrar com composições que já beiram o status de cânone, como “Ashes in the Snow”, de Hymn to the Immortal Wind.

Com passagens por Santiago e Buenos Aires, a etapa sul-americana tem sido descrita como uma celebração da produção analógica em estado puro, especialmente em um contexto pós-Albini. Em São Paulo, o Mono não oferece apenas um show, mas uma experiência sonora que exige escuta, entrega e tempo — algo cada vez mais raro.


SERVIÇO

Data: 24 de abril de 2026
Local: Fabrique Club — Rua Barra Funda, 1071, São Paulo/SP
Horário: abertura da casa às 19h
Ingressos: informações em breve

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