Damon Albarn diz que show do Blur no Coachella foi “uma leve falta de sintonia” com o público
O retorno do Blur ao Coachella em 2024 não saiu exatamente como esperado. Em entrevista recente à Rolling Stone, Damon Albarn refletiu sobre a apresentação da banda no tradicional festival californiano e admitiu que houve um certo descompasso entre o grupo e o público presente.
O evento, realizado em dois finais de semana consecutivos todo mês de abril, marcou a terceira passagem do Blur pelo deserto — após performances em 2003 e 2013. Antes mesmo de subir ao palco, Albarn já demonstrava incerteza sobre o que esperar. Em conversa com a rádio KROQ, ele comentou: “É estranho tocar no Coachella quando se trata de público. É difícil saber.”
Durante a primeira apresentação, ao introduzir “Girls and Boys”, o vocalista provocou a plateia: “Vocês nunca mais vão nos ver, então é melhor cantar essa porra. Entendem o que eu quero dizer?” A fala viralizou nas redes e alimentou a percepção de que o clima não era dos mais calorosos.
O guitarrista Graham Coxon também não escondeu a frustração. Em entrevista à GQ, afirmou que a banda estava tocando “para pessoas que não dão a mínima” e descreveu o público como “entediado”.
Agora, às vésperas do lançamento do novo álbum do Gorillaz, intitulado The Mountain, Albarn voltou ao assunto e foi direto: “Sentimos no Coachella, quando viemos com o Blur [em 2024], que talvez fosse uma falta de sintonia estarmos naquele festival. É meio que a personificação das redes sociais hoje, não é?”
Seu parceiro criativo no Gorillaz, Jamie Hewlett, reforçou a crítica ao observar que o Coachella é “o único festival onde os celulares não estão apontados para o palco, mas para a pessoa segurando o celular”.
Sem planos imediatos de retorno aos palcos — seja no Coachella ou em qualquer outro lugar — Albarn, no entanto, não descartou completamente a possibilidade de um novo show do Blur nos Estados Unidos. Ele mencionou que algo como uma apresentação no Madison Square Garden poderia acontecer, mas fez uma ressalva bem-humorada.
“O único problema de tocar no Madison Square Garden — e eu já toquei lá algumas vezes — é que há todos aqueles banners do… como é mesmo o nome dele?”, brincou. Ao ser lembrado de Billy Joel — que manteve uma residência mensal na arena entre 2014 e 2024 — Albarn completou: “Billy Joel. Qualquer sensação de conquista simplesmente se esvazia. Eu não suporto isso.”
Entre críticas ao comportamento do público e ironias sobre ícones americanos, Albarn mostra que, mesmo décadas após o auge do britpop, ainda prefere autenticidade ao hype digital — mesmo que isso signifique uma “leve falta de sintonia” no deserto.
