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Westside Cowboy: indie rock com coração aberto e espírito comunitário

Desde que conquistaram um cobiçado slot no palco Woodsies do Glastonbury Festival em 2025, a banda Westside Cowboy vêm consolidando seu nome como uma das forças mais empolgantes do indie britânico atual. Com uma fórmula simples — diversão, honestidade e canções feitas para serem cantadas em coro — o quarteto transformou o burburinho inicial em um movimento consistente.

Formada em 2021 por estudantes do Royal Northern College of Music, em Manchester, a banda nasceu quase por acaso. Paddy Murphy (bateria), Aoife Anson O’Connell (baixo e voz), Reuben Haycocks (guitarra e voz) e Jimmy Bradbury (guitarra e voz) decidiram deixar para trás projetos anteriores mais “complicados” e criar algo despretensioso. A ideia inicial era tocar covers rockabilly e se divertir. Mas rapidamente surgiram composições próprias — cruas, emotivas e cheias de personalidade.

O ponto de virada veio quando venceram a competição Emerging Talent do Glastonbury, garantindo presença no lendário Woodsies Stage, escolhido pelos organizadores Michael e Emily Eavis. Mesmo diante de uma multidão madrugadora às 11h da manhã, a banda manteve a mesma postura desarmada: chegar correndo, plugar os instrumentos e tocar como se estivessem no quarto de ensaio.

O single de estreia, “I’ve Never Met Anyone I Thought I Could Really Love (Until I Met You)”, ajudou a consolidar a fama de “slacker rock” — rótulo que eles próprios contestam. Se há desleixo ali, é calculado: harmonias suaves, guitarras enevoadas e um senso de humor que abre espaço para vulnerabilidade real. A própria banda já apelidou o som de “Britainicana”, uma fusão enevoada entre country americano e indie britânico clássico.

O EP de estreia, This Better Be Something Great, lançado pelos selos Nice Swan e Heist Or Hit, apresentou essa dualidade: de faixas mais barulhentas e urgentes a baladas folk melancólicas. Já o segundo EP, So Much Country ‘Till We Get There’, produzido por Loren Humphrey (conhecido por trabalhos com Lana Del Rey e Geese), expandiu a paleta sonora sem perder a essência de “quatro pessoas tocando juntas numa sala”.

Mesmo com a assinatura com a Island Records (via Adventure Recordings), turnês pelos EUA e shows esgotados — incluindo uma apresentação marcante no Gorilla, em Manchester —, o grupo mantém uma humildade quase incrédula diante do próprio crescimento. A sensação, segundo eles, ainda é a de que alguém pode acender as luzes a qualquer momento e pedir que recolham os instrumentos.

A conexão com a cena local também segue fundamental. Amizades com bandas como Black Country, New Road e English Teacher reforçam esse espírito coletivo que parece definir a nova geração alternativa britânica: artistas comprometidos com suas convicções e com a construção de algo duradouro.

Mais do que hype, o Westside Cowboy aposta em atemporalidade. Eles querem criar músicas que sobrevivam à própria banda — canções que as pessoas continuem cantando mesmo quando já não se lembrarem exatamente de quem as escreveu. No fim das contas, talvez seja essa a verdadeira fórmula: menos pressão para “fazer algo grande” e mais foco em fazer algo verdadeiro.

Se o futuro reserva palcos cada vez maiores ou temporadas em pubs históricos de Manchester, pouco importa. Para o Westside Cowboy, a música continua sendo um veículo de encontro — uma celebração compartilhada, feita do jeito mais simples e sincero possível.

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