Pet Shop Boys transforma São Paulo em pista elegante com a turnê Dreamworld
A apresentação do Pet Shop Boys no Suhai Music Hall foi daquelas noites em que elegância e precisão caminham lado a lado. Com cerca de 15 minutos de atraso, a expectativa só aumentou dentro da casa lotada. Quando as luzes finalmente se apagaram e as primeiras imagens geométricas surgiram nos painéis de LED, ficou claro que o tempo extra de espera fazia parte do ritual: o público estava pronto para mergulhar em uma celebração impecável de grandes sucessos.
A abertura com “Suburbia” estabeleceu imediatamente o clima vibrante da noite. Em seguida, “Can You Forgive Her?” e “Opportunities (Let’s Make Lots of Money)” reforçaram a ironia sofisticada e o olhar crítico que sempre marcaram a trajetória da dupla. O repertório foi construído com inteligência, alternando momentos mais introspectivos, como “Rent” e “Jealousy”, com explosões dançantes como “Domino Dancing” e “New York City Boy”. A versão híbrida de “Where the Streets Have No Name (I Can’t Take My Eyes Off You)” soou grandiosa, enquanto “Single-Bilingual / Se a vida é (That’s the Way Life Is)” trouxe um tempero latino irresistível, aproximando ainda mais o público brasileiro.
Neil Tennant manteve sua postura clássica, com vocais firmes e presença contida, quase aristocrática. Chris Lowe, mais enigmático, permaneceu concentrado nos teclados, sustentando a arquitetura sonora que transformou o Suhai Music Hall em uma pista retrô-futurista. A química entre os dois não depende de gestos expansivos; ela se manifesta na precisão dos arranjos, na estética calculada e na confiança de quem conhece profundamente o próprio legado.
As trocas de figurino acrescentaram dinamismo ao espetáculo. Os cortes estruturados e a paleta sóbria reforçaram a identidade visual elegante da dupla, dialogando com a cenografia minimalista. O palco, composto por painéis verticais, projeções digitais e jogos de luz milimetricamente sincronizados, criou diferentes atmosferas ao longo do show sem jamais sobrecarregar a cena. Tudo parecia pensado para servir à música.
Na reta final, a energia atingiu o ápice com “Vocal” e, sobretudo, “It’s a Sin”, cantada em coro absoluto. No bis, “West End Girls” reafirmou seu status de hino atemporal, enquanto “Being Boring” encerrou a noite com uma nota emotiva e melancólica, deixando no ar aquela sensação agridoce de que certos clássicos nunca envelhecem — apenas ganham novas camadas de significado.
Mais do que um simples desfile de hits, o Pet Shop Boys entregou em São Paulo um espetáculo coeso, sofisticado e visualmente impactante. Uma prova de que, mesmo décadas após o início da carreira, a dupla continua dominando a arte de transformar synthpop em algo elegante, conceitual e absolutamente atemporal.
Setlist – São Paulo
Pet Shop Boys – Dreamworld: The Greatest Hits Live
Suhai Music Hall – São Paulo, Brasil
- Suburbia
- Can You Forgive Her?
- Opportunities (Let’s Make Lots of Money)
- Where the Streets Have No Name (I Can’t Take My Eyes Off You)
- Rent
- I Don’t Know What You Want but I Can’t Give It Any More
- So Hard
- Left to My Own Devices
- Single-Bilingual / Se a vida é (That’s the Way Life Is)
- Domino Dancing
- Dancing Star
- New York City Boy
- The Pop Kids
- A New Bohemia
- Jealousy
- Love Comes Quickly
- Paninaro
- You Were Always on My Mind (Gwen McCrae cover)
- Dreamland
- Heart
- What Have I Done to Deserve This?
- It’s Alright (Sterling Void cover)
- Vocal
- It’s a Sin
Encore:
25. West End Girls
26. Being Boring
Ao final, o sentimento era claro: o Pet Shop Boys domina a arte de transformar um show de greatest hits em algo atual e relevante. Em São Paulo, provaram que elegância, conceito e boas canções continuam sendo a combinação perfeita para atravessar décadas — e pistas de dança — sem perder o brilho.
