The Coral retorna às origens com o álbum 388
A cultuada banda britânica The Coral resolveu abandonar fórmulas grandiosas e voltar ao espírito cru e espontâneo do início da carreira em seu novo álbum surpresa, 388. O disco apareceu misteriosamente em lojas independentes de vinil no Reino Unido no começo de maio, sem anúncios prévios, postagens em redes sociais ou campanhas promocionais — uma decisão pensada justamente para recuperar a magia imprevisível dos lançamentos antigos.
Em entrevista à NME, o vocalista James Skelly explicou que a banda queria tornar o processo mais “interessante” tanto para eles quanto para os fãs. Segundo ele, a ideia era lançar o disco como acontecia antigamente: simplesmente deixar o álbum existir, sem explicações excessivas ou estratégias digitais.
O resultado é um trabalho descrito pelos próprios integrantes como “back to basics”: direto, orgânico, cheio de imperfeições intencionais e gravado praticamente ao vivo em estúdio. O tecladista Nick Power contou que o grupo decidiu resistir à tentação moderna de polir tudo digitalmente, apostando em takes crus e espontâneos.
Musicalmente, 388 mistura garage rock, dub, rocksteady, psicodelia e indie rock com referências inesperadas ao movimento Zamrock — o explosivo rock psicodélico produzido na Zâmbia nos anos 70. A banda revelou ter se inspirado na energia “ingênua, juvenil e contagiante” daqueles discos africanos, além de revisitar suas próprias raízes na cena alternativa de Liverpool do início dos anos 2000.
O título do álbum faz referência ao lendário gravador analógico Tascam 388, equipamento usado por várias bandas da cena underground de Liverpool na época em que o The Coral começou. O grupo utilizou o aparelho para adicionar hiss, textura e uma sensação deliberadamente lo-fi às gravações.
Entre as novas faixas estão “Let The Music Play”, “Ride That Train”, “Leave It In The Past” e “Yellow Moon”, músicas que reforçam a atmosfera despojada e emocional do projeto. Para James Skelly, o álbum também representa um reencontro com a honestidade lírica dos primeiros anos da banda.
Conhecidos por clássicos como The Coral e Coral Island, o The Coral continua sendo uma das bandas mais singulares do indie britânico, misturando psicodelia, folk, garage rock, pop sessentista e surrealismo lírico de forma totalmente própria.
A banda também comentou que redescobriu uma postura mais livre e despreocupada durante a produção do disco. “We’ve rediscovered an attitude of ‘Fuck ’em’”, afirmou Skelly, resumindo o espírito rebelde e descomplicado que impulsiona esta nova fase.
