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UK Music apresenta cinco prioridades ao novo primeiro-ministro Andy Burnham para fortalecer a indústria musical britânica

A nomeação de Andy Burnham como novo primeiro-ministro do Reino Unido já provocou uma rápida reação do setor musical britânico. A UK Music, principal entidade que representa a indústria da música no país, parabenizou oficialmente o ex-prefeito da Grande Manchester e aproveitou o início de seu mandato para apresentar uma agenda com cinco prioridades consideradas essenciais para garantir o crescimento de um dos setores mais importantes da economia criativa britânica.

O posicionamento foi liderado pelo diretor-executivo da organização, Tom Kiehl, que destacou a longa relação de Burnham com a cultura e sua conhecida afinidade com a música. Ex-secretário de Cultura e uma das figuras políticas mais associadas ao desenvolvimento cultural de Manchester, Burnham assume o cargo em um momento de grandes desafios para artistas, gravadoras, casas de shows, festivais e profissionais da cadeia produtiva da música.

Segundo a UK Music, a indústria musical do Reino Unido movimenta atualmente cerca de £8 bilhões por ano, gera aproximadamente 220 mil empregos e responde por £4,8 bilhões em exportações anuais, consolidando-se como um dos principais ativos culturais e econômicos do país.

Tom Kiehl afirmou que o novo governo tem uma oportunidade única para transformar a música em um dos pilares do crescimento econômico britânico. Para isso, a entidade apresentou cinco testes fundamentais que servirão como parâmetro para avaliar o compromisso da nova administração com o setor.

A primeira prioridade diz respeito às turnês na União Europeia. Desde a saída do Reino Unido do bloco europeu, músicos, técnicos e equipes de produção enfrentam um aumento significativo da burocracia, custos adicionais, exigências alfandegárias e questões relacionadas a vistos de trabalho. A UK Music defende que o governo cumpra a promessa de campanha de reduzir esses obstáculos, permitindo que artistas britânicos voltem a circular pelo continente com maior facilidade. Para muitos profissionais, especialmente artistas independentes e bandas em início de carreira, as dificuldades impostas após o Brexit reduziram drasticamente a viabilidade financeira das turnês europeias.

Outro tema considerado urgente é o combate aos chamados ticket touts, os cambistas digitais que compram grandes quantidades de ingressos para revendê-los por valores muito superiores aos preços originais. A prática afeta milhões de consumidores todos os anos e tem sido alvo de críticas constantes da indústria musical. A UK Music cobra que Burnham acelere a legislação prometida para impedir a revenda abusiva de ingressos para shows e festivais, tornando o acesso aos eventos mais justo para o público.

A descentralização da política cultural também aparece entre as principais reivindicações. Durante sua gestão como prefeito de Manchester, Burnham tornou-se um dos principais defensores da devolução de poderes às administrações locais. Agora, a UK Music espera que essa filosofia seja aplicada em nível nacional, permitindo que cidades e regiões desenvolvam estratégias próprias para fortalecer suas economias criativas. A entidade acredita que investimentos em infraestrutura cultural, espaços para apresentações ao vivo, educação musical e políticas públicas regionais podem estimular o crescimento econômico muito além de Londres, beneficiando comunidades em todo o Reino Unido.

A rápida expansão da inteligência artificial representa outro dos maiores desafios enfrentados atualmente pela indústria musical. A UK Music reforça que não se opõe ao desenvolvimento tecnológico, mas exige que empresas responsáveis por sistemas de IA obtenham autorização antes de utilizar obras protegidas por direitos autorais no treinamento de seus modelos. Além disso, defende que compositores, intérpretes e demais criadores sejam devidamente remunerados e que exista total transparência sobre a utilização de conteúdos musicais pelas plataformas de inteligência artificial. Segundo Tom Kiehl, proteger os direitos dos criadores é essencial para garantir a sustentabilidade econômica da música britânica em um cenário cada vez mais dominado pelas novas tecnologias.

A quinta prioridade envolve o futuro da BBC, cuja renovação de concessão está prevista para os próximos anos. A UK Music considera fundamental que o governo preserve uma emissora pública forte e bem financiada, capaz de continuar desempenhando seu papel histórico na promoção da música britânica. Ao longo de décadas, rádios como a BBC Radio 1, BBC Radio 2 e BBC Radio 6 Music contribuíram para revelar novos artistas, apoiar músicos independentes e difundir a produção musical do Reino Unido tanto nacional quanto internacionalmente.

Ao comentar a chegada de Burnham ao cargo de primeiro-ministro, Tom Kiehl destacou que o novo líder conhece profundamente o funcionamento da indústria musical e compreende sua importância para a economia e para a imagem internacional do Reino Unido. Segundo ele, a expectativa é que o governo transforme as promessas feitas durante a campanha em políticas concretas capazes de impulsionar um setor que continua sendo uma das maiores referências culturais britânicas no mundo.

A manifestação da UK Music ocorre poucos dias após o lançamento oficial do novo Plano para a Música do governo britânico, apresentado pela Secretaria de Cultura durante o tradicional evento de verão promovido pela entidade. O documento estabelece diretrizes para fortalecer o ecossistema musical, ampliar investimentos, incentivar novos talentos e consolidar o Reino Unido como uma das principais potências globais da música.

Com Andy Burnham agora à frente do governo, artistas, gravadoras, empresários, festivais e profissionais do setor aguardam os primeiros passos da nova administração. A resposta às cinco prioridades apresentadas pela UK Music poderá definir não apenas o futuro da indústria musical britânica, mas também sua capacidade de manter a liderança global em um mercado cada vez mais competitivo e impactado pelas transformações tecnológicas.

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