PIGS PIGS PIGS PIGS PIGS PIGS PIGS encerram 2025 com o peso de Death Hilarious e a realidade de ser músico em tempos difíceis
Em um ano que escancarou tanto a força criativa quanto os desafios de viver de música, os britânicos Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs — ou PIGS x7 — encerram 2025 com duas apresentações no Reino Unido: 8 de novembro no Mutation Festival, em Brighton, e 9 de novembro no Esquires Club, em Bedford. Os shows marcam o fechamento da turnê do poderoso álbum Death Hilarious, lançado em abril, e também simbolizam a persistência de uma banda que equilibra paixão, intensidade e a dura realidade de ser artista independente em meio ao caos econômico.
O som que ri da tragédia
Com Death Hilarious, o PIGS x7 expandiu seu universo sonoro, mantendo o peso característico do stoner e sludge metal, mas com mais experimentação e senso de humor sombrio. O disco é uma catarse coletiva: guitarras colossais, vocais viscerais e letras que oscilam entre o grotesco e o transcendental.
Entre os destaques estão “Detroit” e “Glib Tongued”, faixa que traz a surpreendente colaboração com El-P (Run The Jewels), misturando rap e metal em uma explosão de energia caótica. A química entre os músicos mostra a abertura criativa do grupo — um diálogo entre gêneros que, ainda que improvável, soa absolutamente natural na estética insana do PIGS x7.
A turnê e o fechamento de um ciclo
Após uma série de shows pelos Estados Unidos e Europa, a banda encerra o ano em casa, onde tudo começou: no norte da Inglaterra, entre pubs e clubes de médio porte que sempre foram o coração do rock britânico. Cada apresentação é uma mistura de ritual e catarse, com o público entregue à parede de som e à intensidade física de Matt Baty, vocalista que parece exorcizar o próprio corpo a cada performance.
Mas por trás da energia de palco, existe uma realidade que atinge quase todos os músicos independentes — e que o próprio Baty fez questão de expor em entrevistas recentes: a de que viver apenas da música é, hoje, praticamente impossível.
Entre o palco e o escritório: o peso da sobrevivência
Matt Baty, além de vocalista, também trabalha para a WIPE OUT MUSIC” : uma empresa de publicação musical com sede no Reino Unido, fundada em 1996, que oferece serviços como direitos de publicação, distribuição e direitos de transmissão. Essa “vida paralela” é algo comum entre músicos do Reino Unido — e foi tema de uma reportagem recente que revelou que quase metade dos artistas britânicos ganha menos de £14 mil por ano com música.
Baty descreve essa rotina como um malabarismo constante: entre o trabalho de escritório e as turnês, entre a paixão e a necessidade de pagar contas. Ele já perdeu empregos por pedir folga para tocar e aprendeu que, para seguir com a banda, precisaria trabalhar em algo dentro da própria indústria musical — um espaço mais compreensivo com as ausências e os sonhos.
“Quando digo aos fãs que amanhã volto para o escritório, eles se espantam”, contou o vocalista. “Mas essa é a realidade. A maioria das bandas vive um segundo emprego, mesmo aquelas que parecem bem-sucedidas.”
A fala de Baty ecoa o sentimento de uma geração de músicos que, após o Brexit, a pandemia e a crise no setor de streaming, enfrenta uma equação quase impossível: continuar criando arte num mercado que paga cada vez menos. O PIGS x7 é, nesse sentido, um exemplo de resistência — uma banda que transforma a frustração em combustível criativo e faz disso um manifesto sonoro.
Rir da morte, desafiar o sistema
Em Death Hilarious, essa tensão entre arte e sobrevivência se transforma em música: o riso diante do absurdo, a gargalhada diante do colapso. O álbum é um espelho de sua época — brutal, sarcástico e humano. Mesmo que o futuro da música independente pareça incerto, o PIGS x7 mostra que a autenticidade ainda pode ser uma arma poderosa contra o conformismo.
Encerrando 2025 com o amplificador no máximo, a banda prova que, mesmo em meio às dificuldades, o rock ainda pode ser tão barulhento quanto necessário.
