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“Radiohead Transforma Madrid em Catarses Sonora: Uma Noite de Emoção e Inovação”

Foi uma daquelas noites em que o tempo pareceu se dissolver. O Radiohead subiu ao palco em Madrid como quem desperta de um longo silêncio — não para reviver glórias passadas, mas para reafirmar, com brutal delicadeza, o poder de ainda emocionar sem precisar explicar nada. A arena inteira respirava em uníssono quando as primeiras notas de “Let Down” ecoaram, e dali em diante o show se desenrolou como uma hipnose coletiva.

O público parecia dividido entre o espanto e a contemplação, quase sem fôlego. A banda soava precisa e, ao mesmo tempo, imprevisível — como se cada música fosse reconstruída ao vivo, reinventada no instante em que acontecia. “2 + 2 = 5” veio como um soco, urgentemente política sem dizer uma palavra sobre política; “Bloom” e “Ful Stop” lembraram por que o experimentalismo do grupo nunca se afastou da emoção. Thom Yorke, de olhos semicerrados e gestos mínimos, conduzia o set como um médium em transe, e a plateia o seguia em silêncio reverente.

Entre momentos de pura tensão e breves suspensões de paz, o repertório costurou décadas de inquietação: “Lucky”, “Weird Fishes/Arpeggi”, “Everything in Its Right Place”, “Idioteque”. Cada canção funcionava como uma janela aberta para uma emoção antiga, revisitável, mas nunca idêntica. No encore, “Fake Plastic Trees” e “Paranoid Android” reacenderam corações já derretidos, e o fechamento com “Karma Police” foi menos um gesto de nostalgia do que uma comunhão — o público inteiro cantando como se o tempo não existisse mais.

Saí da arena com a sensação de ter presenciado algo que ultrapassa o simples conceito de concerto. A Radiohead continua sendo uma banda que não busca aplausos, mas compreensão — e talvez por isso receba os dois em excesso. O som, a luz, o silêncio entre as notas: tudo parecia cuidadosamente projetado para lembrar que, mesmo depois de tantos anos, ainda há espaço para o espanto. Madrid foi testemunha de um milagre discreto — o tipo de experiência que só o Radiohead é capaz de transformar em realidade.

  1. Let Down
  2. 2 + 2 = 5
  3. Sit Down. Stand Up. (primeira performance desde 2004)
  4. Bloom
  5. Lucky
  6. Ful Stop
  7. The Gloaming
  8. Myxomatosis
  9. No Surprises
  10. Videotape
  11. Weird Fishes/Arpeggi
  12. Everything in Its Right Place
  13. 15 Step
  14. The National Anthem
  15. Daydreaming
  16. A Wolf at the Door
  17. Bodysnatchers
  18. Idioteque

Encore:
19. Fake Plastic Trees
20. Subterranean Homesick Alien
21. Paranoid Android
22. How to Disappear Completely
23. You and Whose Army?
24. There There
25. Karma Police

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