A obra parte de um gesto raro na música eletrônica contemporânea: transformar imperfeições técnicas — hiss, hum, arranhões de fita, ondulações de gravações antigas, arquivos perdidos — em substância estética. Nkisi recolhe esses fragmentos e os reorganiza como quem reativa um ritual. Há algo de arqueológico na maneira como ela manipula esses materiais: não para restaurá-los, mas para permitir que continuem falando na língua trêmula e quebrada que lhes é própria. Esses “erros” deixam de ser falhas e se tornam protagonistas. Cada ruído vibra como um fantasma que finalmente encontrou espaço para se manifestar.
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