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Resenhas

WET LEG: ENERGIA, HUMOR E CATARSE NA TURNÊ MOISTURIZER

O Wet Leg segue provando que é muito mais do que um sucesso passageiro. A dupla formada por Hester Chambers e Rhian Teasdale, originária da Ilha de Wight, transformou seu humor excêntrico e composições afiadas em um dos projetos mais originais do indie contemporâneo.

Desde que o clipe de “Chaise Lounge” tomou conta da internet em 2021, o grupo passou de revelação a fenômeno global — com direito a Grammys, Brit Awards e uma turnê mundial que colocou o nome da banda no topo das listas da crítica.

Agora, o Wet Leg vive uma nova fase. Após uma breve pausa, o duo retornou em 2025 com o single “Catch These Fists” e o segundo álbum, Moisturizer, lançado em julho. O disco reforça o talento da banda para equilibrar ironia, energia e vulnerabilidade, com uma sonoridade mais encorpada e experimental.

Em sua recente apresentação no Paramount Theatre (Seattle), o grupo mostrou por que é uma das bandas mais vibrantes da atualidade. Com o palco tomado por fumaça e luz branca, Rhian Teasdale surgiu empunhando sua guitarra transparente para abrir o show com “Catch These Fists”. A reação foi imediata: a plateia cantava cada verso em coro, tomada por euforia.

A banda — agora um quinteto, com Jason Mobaraki (guitarra e synth), Henry Holmes (bateria) e Ellis Durand (baixo) — deu nova força ao som do Wet Leg. O show, composto por 17 músicas originais, mostrou confiança e versatilidade, alternando entre momentos explosivos e passagens introspectivas.

Um dos grandes momentos veio com “Ur Mum”, quando Rhian transformou o teatro em uma verdadeira sessão de “scream therapy”: luzes piscando, fumaça no ar e o público gritando por vinte segundos seguidos antes da banda retomar o refrão. O encerramento, com “Chaise Lounge” e “CPR”, deixou todos em êxtase.

Na abertura, o trio londrino Mary in the Junkyard fez uma apresentação hipnótica, misturando melancolia, experimentalismo e melodias que lembram o Velvet Underground. Uma das novas apostas mais interessantes da cena britânica.

Com o sucesso de Moisturizer e uma turnê mundial esgotada, o Wet Leg mostra que segue evoluindo sem perder o humor e o frescor que o tornaram especial.
Quem acompanha a banda nesta fase vê algo raro: um grupo jovem no auge da descoberta — e totalmente dono de sua própria identidade.

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