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Requin Chagrin – o sonho melancólico do pop francês moderno

Entre as brumas sonoras do dream pop e a melancolia ensolarada do surf rock, surge o universo encantado e nostálgico do Requin Chagrin, projeto liderado pela cantora, guitarrista e compositora Marion Brunetto,  se tornou um dos nomes mais fascinantes da nova cena alternativa francesa, com uma sonoridade que parece viajar entre os anos 80 e o futuro.

Origens e primeiros passos

Marion Brunetto cresceu cercada por música. Aprendeu guitarra aos 12 anos e logo depois mergulhou em outros instrumentos — bateria, baixo e teclados —, o que a ajudou a desenvolver um estilo próprio, guiado tanto pela introspecção quanto pelo desejo de criar paisagens sonoras amplas e cinematográficas.

Foi em 2014 que ela criou o Requin Chagrin, nome inspirado em um pequeno tubarão (“requin chagrin” em francês) que, segundo Marion, simboliza a delicadeza e a força escondida na tristeza. Embora o projeto seja essencialmente solo, Brunetto sempre se cercou de músicos para os shows e gravações — entre eles, Gaël Étienne, Joseph Deschamps, Axel Le Ray e outros colaboradores.

Desde o início, sua proposta estética ficou clara: unir o dream pop e o shoegaze à língua francesa, algo ainda raro no cenário musical contemporâneo. O resultado é uma música que soa tanto universal quanto íntima — repleta de reverb, guitarras cristalinas e letras que tratam de amor, distância, solidão e renascimento.

O som do sonho

O Requin Chagrin combina o espírito de bandas como The Cure e Cocteau Twins com a energia do surf rock e o minimalismo do pop francês moderno. O resultado é uma fusão entre melancolia e leveza, como uma trilha sonora para um verão que já acabou, mas que continua ecoando na memória.

Marion descreve seu estilo como “uma forma de traduzir em música a sensação de saudade de algo que nunca existiu”. Essa dualidade — entre o sol e a sombra, o sonho e o real — se tornou a marca do projeto.

Discografia e evolução sonora

O primeiro álbum, Requin Chagrin (2015), apresentou essa estética em sua forma mais crua: produção caseira, melodias lo-fi e uma atmosfera etérea que encantou críticos e ouvintes. O single “Adélaïde” rapidamente se tornou um pequeno hino underground, abrindo portas para festivais e novos públicos.

Em 2019, veio o segundo disco, Sémaphore, lançado pelo selo KMS Disques, de Indochine — uma das bandas que mais influenciaram Marion Brunetto e que posteriormente levaria o grupo para abrir shows da sua turnê. Neste álbum, o som do Requin Chagrin se expandiu: teclados mais presentes, guitarras com camadas densas e uma produção mais refinada, sem perder a melancolia que já definia o projeto.

O sucesso consolidou o nome do Requin Chagrin dentro da cena indie francesa, preparando o terreno para o que viria a seguir.

Em 2021, o grupo lançou Bye Bye Baby, seu terceiro álbum e o mais ambicioso até então. Gravado durante um período de isolamento e introspecção, o disco equilibra batidas pulsantes com melodias flutuantes, entregando canções como “Déjà Vu”, “Fou” e a faixa-título, que soam como ecos de uma juventude eterna, perdida entre o sonho e o tempo. Em 2022, uma edição deluxe do álbum trouxe a faixa “Crush”, com participação da atriz Anaïs Demoustier, ampliando o alcance do projeto.

Reconhecimento e colaborações

A trajetória do Requin Chagrin é marcada por colaborações que ajudaram a projetar o nome de Marion Brunetto para além das fronteiras da França. Em 2018, o grupo foi convidado para abrir shows do Indochine, um marco em sua carreira. O próprio Nicolas Sirkis, vocalista do Indochine, destacou a sensibilidade e o talento de Brunetto, chegando a colaborar com ela anos depois na faixa “Girlfriend”, do álbum Babel Babel (2024).

Além disso, o grupo participou de projetos coletivos como Sick Sad World – Volume 3, reinterpretando a canção “Je ne veux pas rester sage” da banda Dolly, reafirmando sua ligação com a herança do rock alternativo francês.

Um ícone da nova cena francesa

O Requin Chagrin representa uma das expressões mais autênticas do pop alternativo contemporâneo. Sua música, cantada em francês, consegue dialogar com o público global sem perder o sotaque poético e introspectivo que define a canção francesa.

Com uma discografia coesa e visual marcante — capas que remetem a filmes vintage, videoclipes que flertam com o surrealismo e letras que equilibram vulnerabilidade e força —, Marion Brunetto e seu projeto continuam a redefinir o que significa fazer música pop com alma e identidade.

Do litoral ensolarado do Mediterrâneo às noites frias de Paris, o Requin Chagrin transforma o desalento em beleza, criando canções que flutuam entre o sonho e a melancolia.


Discografia essencial:

  • Requin Chagrin (2015)
  • Sémaphore (2019)
  • Bye Bye Baby (2021)
  • Bye Bye Baby (Deluxe Edition) (2022)

Principais singles: “Adélaïde”, “Mauvais Présage”, “Sémaphore”, “Rivières”, “Déjà Vu”, “Crush”

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