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🎙️ Neil Hannon faz sua “Rádio de…” com elegância, nostalgia e pop perfeito

O líder do The Divine Comedy abre seu coração em um programa da France Inter, revelando as canções que moldaram sua vida — de James Bond a Björk, passando por Kate Bush, ABBA e Simon & Garfunkel.

Fundador e membro do grupo de pop orquestral The Divine Comedy, cujo mais recente álbum Rainy Sunday Afternoon acaba de ser lançado, Neil Hannon é um artista de múltiplas faces — multi-instrumentista, compositor, letrista e cantor.
Nesta edição especial do programa “La Radio de…”, transmitido pela France Inter, Hannon abre o coração e o acervo pessoal: uma seleção íntima de canções que marcaram sua vida, da sofisticação de John Barry ao pop sintético do OMD, passando por Kate Bush, R.E.M. e até Björk.
Entre lembranças, risos e reflexões melancólicas, o músico irlandês revela as músicas que moldaram sua sensibilidade e sua visão da beleza, da arte e do amor.

Logo de início, Hannon mergulha na nostalgia cinematográfica com John Barry – “The James Bond Theme”, lembrando da fascinação infantil pelos filmes de 007, com helicópteros, gadgets e, claro, Ursula Andress saindo do mar. Em seguida, escolhe o lirismo de Simon & Garfunkel – “America”, exaltando os arranjos que “soam como um filme em si” e confessando seu desejo de cantar “tão incrivelmente agudo” quanto a dupla.

A descoberta tardia de Juliette Gréco traz um tom mais reflexivo: “Percebi o quanto ela foi importante — pelas canções, pelas ideias e pela filosofia daquela época. Ela era sublime. Eu adoraria tê-la conhecido”, comenta, antes de citar Jacques Brel e sua melancólica “On n’oublie rien”.

Em R.E.M – “These Days”, Hannon revisita sua juventude indie dos anos 1980, quando era “um garoto obcecado por Pixies e House of Love”. Logo depois, confessa uma devoção quase espiritual a Kate Bush – “Sat In Your Lap”, descrevendo-a como “a artista mais imaginativa, inteligente e sensual que já existiu”.

A veia pop eletrônica aparece em Orchestral Manoeuvres in the Dark – “Souvenir”, onde Hannon celebra o encanto do synth-pop e admite que só recentemente, em Office Politics (2019), deixou essa influência florescer em sua própria música.

Mais adiante, ele cita Vampire Weekend – “Mansard Roof” como uma de suas paixões contemporâneas, e presta tributo à intensidade emocional de Édith Piaf – “Hymne à l’amour”, lembrando que a cantora apresentou a música “na noite da morte de seu amante boxeador”.

Com ABBA – “One of Us”, ele reconhece a influência formativa do pop em sua infância — “cada palavra, cada nota ainda está na minha memória” — e exalta a beleza dos arranjos “como canções dentro da canção”.

Antes de encerrar, Hannon viaja mais longe no tempo com Gabriel Fauré – “Requiem, Op. 48 (Agnus Dei)”, confessando seu amor pela música clássica francesa: “Vocês escrevem as melhores músicas. Deve haver algo na água.”

E, finalmente, fecha com Björk – “Isobel”, a quem chama de “a Kate Bush da minha geração”. Ele relembra a vez em que a entrevistou para Les Inrockuptibles: “Perdemos a gravação e tivemos que refazer tudo… mas ela foi maravilhosa.”

Entre risadas, lembranças e confissões, Neil Hannon faz de sua “Rádio de…” uma carta de amor à música — e à beleza imprevisível que só ela consegue traduzir.


🎧 Neil Hannon, músico e cantor (The Divine Comedy)

Sua playlist:

John Barry – “The James Bond Theme” (de Dr. No)
Uma música de 1962 — um ótimo ano! A maioria dos homens da minha geração ficou obcecada pelos filmes de James Bond ainda muito jovem. Parte disso era por causa dos helicópteros, dos gadgets, das armas… mas principalmente por causa de Ursula Andress saindo do mar de biquíni.


Simon and Garfunkel – “America”
Absolutamente fantástico! Eu amo a maneira como eles faziam os arranjos naquela época. É quase como um filme em si — dá pra imaginar cada cena. As letras são tão cheias de imaginação e imagens visuais. Eles me inspiraram muito, especialmente nos últimos anos — ou na metade da minha carreira, depende de quanto tempo eu ainda vou durar… Nos últimos dez anos, ouvi muito Simon & Garfunkel, com imenso prazer.
Eu só queria conseguir cantar assim — tão incrivelmente agudo.


Juliette Gréco – “On n’oublie rien”
Uma dama sobre quem eu sabia pouco até recentemente. Eu a vi ao vivo no fim dos anos 1990 e adorei, lembro bem disso. Mas era antes da internet, então não tinha como pesquisar quem ela era — nem sabia da conexão com Jacques Brel, que era o autor da canção!
Nos últimos anos, com o streaming, o aplicativo que uso me recomendou sua música — e sou grato por isso. Percebi o quanto Juliette Gréco é importante: pelas canções, pelas ideias, pelas pessoas com quem convivia e pela filosofia daquela época.
E ela está em algumas das fotos mais belas dos anos 1950 e 60. Era sublime — eu adoraria tê-la conhecido. Que descanse em paz.
Sobre essa canção, escrita por Brel, que diz “a gente não esquece nada”, fico intrigado: o que exatamente ele queria dizer? “A gente não esquece nada, apenas se acostuma, é tudo.”
Talvez eu não entenda porque, no fundo, eu esqueço tudo — é a única forma que encontro de suportar a vida.


R.E.M. – “These Days”
Acho que é hora do bom e velho rock indie… Eu era um enorme fã de R.E.M. na adolescência, no fim dos anos 1980. Fui um garoto “indie”: amava os Pixies, o House of Love
R.E.M. me fascinava, especialmente os primeiros álbuns — tão estranhos, pequenos, interessantes, cheios de imagens e riffs de guitarra incríveis. Era totalmente a minha praia!


Kate Bush – “Sat In Your Lap”
Voltando um pouco na minha história musical… Fui completamente obcecado por Kate Bush, especialmente pelo álbum Hounds of Love, em meados dos anos 1980. Depois dessa fase, revisitei seus primeiros discos — e há tanta coisa incrivelmente estranha e maravilhosa ali, e ainda assim eram sucessos!
É difícil explicar o quanto Kate Bush foi importante para o meu desenvolvimento musical.
Enquanto eu ouvia R.E.M. e outras bandas de guitarra, ela estava lá, espalhando sua magia por toda parte.
Ela me libertou das guitarras indie. Foi a artista mais imaginativa, inteligente e sensual que já existiu. Eu a amo.


Orchestral Manoeuvres in the Dark – “Souvenir”
Agora, algo diferente: um pouco de pop sintético. Eu adorava synth-pop, mas só muito mais tarde percebi o quão essencial essa música foi — uma verdadeira fatia de pop perfeito!
Na época, parecia algo açucarado demais, mas me fascinou quando esses caras chegaram, vestidos de couro, tocando aqueles pequenos teclados cheios de botões que faziam sons que eu nunca tinha ouvido antes.
Se eu tivesse dinheiro para comprar um sintetizador naquela época, talvez minha música fosse totalmente diferente.
Só em 2019, com o álbum Office Politics, deixei isso aparecer — é um disco estranho, lento, cheio do meu amor pela new wave e pelo pop eletrônico.


Vampire Weekend – “Mansard Roof”
Agora algo mais contemporâneo (acho que o mais moderno que consigo citar).
Tenho uma relação especial com esse disco: quando me pediram para tocar um álbum contemporâneo favorito num show, escolhi este.
Adoro o Vampire Weekend, especialmente o álbum de estreia, de 2008. É jovem, um pouco caótico, mas cheio de ideias brilhantes — e letras que me encantaram como poucas vezes antes.


Édith Piaf – “Hymne à l’amour”
Não sou exatamente um grande fã da Piaf, mas sei o que amo.
Essa música tem drama, romance e emoção — tudo muito doloroso.
Acho que ela a escreveu para seu amante boxeador, e a cantou num show na noite da morte dele. É algo inacreditável.
Eu nunca conseguiria fazer o mesmo.


ABBA – “One of Us”
Falando em amor… “Um de nós chora, um de nós morre.”
Dizem que minhas canções são melancólicas, mas essas…!
Não há nada que eu possa dizer sobre o ABBA que vocês já não saibam. Eles criaram hit após hit — mas não eram superficiais.
Eram composições sublimes, com histórias e contramelodias incríveis.
Aquela parte no refrão… é como uma canção dentro da canção! São esses detalhes que mantêm o ouvido fascinado.
Percebo agora quantas dessas músicas vêm de 1981 e 1982 — os anos em que meu coração começou a se abrir para a grande música pop, quando eu tinha uns 10 ou 11 anos.
Mesmo sem entender o impacto na época, cada palavra, cada nota, ainda está gravada em minha memória.


Gabriel Fauré – Requiem, Op. 48 V. “Agnus Dei”
Agora vamos muito mais longe no tempo.
Ouçam esse trecho sublime de um Requiem — a parte que mais amo.
Sou apaixonado por música clássica, e é curioso, mas a maioria das minhas peças favoritas são francesas.
Não sei por quê — talvez vocês escrevam as melhores músicas. Fauré, Saint-Saëns, Ravel…
Até os russos que gosto são os que foram para Paris. Deve haver algo especial na água daí.


Björk – “Isobel”
Tenho muitas outras músicas favoritas, mas o tempo acabou.
Então, para encerrar, escolho alguém que foi como a Kate Bush da minha geração: Björk.
Eu a amava — e ainda amo!
Lembro quando a entrevistei para o jornal Les Inrockuptibles.
Infelizmente, alguém perdeu a gravação e tivemos que refazer tudo — o que nunca é uma boa experiência para o entrevistado.
Mas ela foi maravilhosa, como sempre.

Você pode ouvir a entrevista aqui: https://www.radiofrance.fr/franceinter/podcasts/la-radio-de/la-radio-de-du-samedi-01-novembre-2025-3646858

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