Oasis renasce em São Paulo: uma noite histórica no Morumbis (22/11/2025)
Um reencontro que parecia impossível — e que se transformou em catarse coletiva.
Após anos de incertezas, especulações e um silêncio quase mítico, o Oasis pisou no gramado do Morumbis na noite de 22 de novembro como se tivesse despertado de uma longa hibernação. E, ao mesmo tempo, como se nunca tivesse ido embora. O que se viu foi uma banda afiada, com vocais impecáveis e um som tão cristalino quanto nos primeiros dias de carreira — um retorno que entregou nostalgia, potência e uma conexão emocional impossível de replicar.
Desde os primeiros instantes, as telas do estádio exibiam a presença constante de Pep Guardiola, quase como um “integrante virtual” do grupo. A reverência ao treinador — aliada às imagens do Manchester City, clube favorito dos irmãos Gallagher — adicionou à noite um toque profundamente britânico, unindo rock, futebol e identidade cultural de maneira natural e divertida.
Entre essas projeções, um símbolo roubou atenções e corações: as abelhas de Manchester. A Manchester worker bee, metáfora do trabalho árduo, união e resiliência desde a Revolução Industrial, aparecia em amarelo e preto como se vigiasse o Morumbis. O gesto foi uma saudação à cidade natal do Oasis — o berço que moldou não apenas o som da banda, mas a própria personalidade de Liam e Noel. Para os britânicos na plateia, foi uma homenagem direta às raízes; para os brasileiros, uma aula silenciosa de história e pertencimento. Assim como Guardiola e o City, as abelhas eram mais que estética: representavam herança, comunidade e identidade.
Executando o mesmo setlist das apresentações no Chile e na Argentina, o Oasis guiou mais de 60 mil pessoas por uma viagem emocional através de uma das discografias mais importantes dos anos 90. Cada faixa parecia carregar um significado renovado — como se o tempo tivesse apenas lapidado, não desgastado, a intensidade de cada momento.
“Hello” abriu o show como um soco de realidade: eles voltaram. O estádio respondeu com um rugido coletivo.
“Acquiesce” trouxe o espírito de irmandade que sempre definiu a banda — irônico, simbólico e profundamente emocionante.
Quando “Morning Glory” explodiu, o Morumbis virou um mar uníssono de vozes, vibrando com a bateria como se a música atravessasse o corpo inteiro.
“Some Might Say” reacendeu o brilho solar do britpop, enquanto “Cigarettes & Alcohol” devolveu ao palco a sujeira charmosa de um rock cru, direto, de pubs apertados e cheios de vida.
A sequência acústica trouxe respiro e intimidade:
“Talk Tonight”, dedicada às mulheres, transformou o estádio em um coro suave e delicado.
“Half the World Away” brilhou como uma oração laica — com celulares iluminando o Morumbis como pequenas constelações.
O ápice emocional veio com “Live Forever”, dedicada a Gary “Mani” Mounfield. O refrão soou como uma celebração da vida, da memória e da permanência.
E com “Rock ’n’ Roll Star”, Liam encarnou sua persona definitiva: desafiador, intenso, inabalável.
No retorno ao palco, o Oasis entregou uma trinca irrefutável:
“The Masterplan”, grandiosa e emocionante;
“Don’t Look Back in Anger”, cantada mais pelo público do que pela banda — uma das cenas mais bonitas da noite;
E “Champagne Supernova”, encerrando tudo com a sensação melancólica e expansiva de um momento que jamais seria reproduzido com a mesma força.
A fusão de imagens, símbolos, homenagens e a entrega absoluta da banda transformaram o Morumbis em algo maior que um estádio. Por algumas horas, foi como se Manchester estivesse ali — com suas abelhas, seu futebol, sua música e sua identidade coletiva.
O Oasis voltou como quem nunca foi embora. E os fãs viveram uma noite que ficará guardada não apenas na história da banda, mas no coração de todos que estavam ali.
Entre homenagens, devoção futebolística, catarse coletiva e uma performance surpreendentemente precisa, o Oasis mostrou que — ao menos no palco — o tempo não desgastou sua força. No Morumbis, a banda não apenas revisitou sua história: reafirmou seu lugar permanente no imaginário de várias gerações.
Setlist – Oasis no Morumbis (22/11/2025)
We Love You (The Rolling Stones cover)
Fuckin’ in the Bushes (com diálogo de Close Encounters of the Third Kind)
Hello
Acquiesce
Morning Glory
Some Might Say
Bring It On Down
Cigarettes & Alcohol
Fade Away
Supersonic
Roll With It
Talk Tonight (dedicada às mulheres)
Half the World Away
Little by Little
D’You Know What I Mean?
Stand by Me
Cast No Shadow (dedicada a Richard Ashcroft)
Slide Away (dedicada às amantes “lovebirds”)
Whatever (com trecho de “Octopus’s Garden”, dos Beatles)
Live Forever (dedicada a Gary “Mani” Mounfield)
Rock ‘n’ Roll Star
Encore:
The Masterplan (precedido pela apresentação da banda)
Don’t Look Back in Anger
Wonderwall
Champagne Supernova
