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Sharp Pins — Balloon Balloon Balloon e o prazer de ver as coisas estourarem

Sharp Pins é o projeto solo de Kai Slater, um magro e estiloso garoto de 20 anos que, quase sem perceber, virou uma espécie de porta-voz informal da cena DIY do indie rock de Chicago. Entre editar o adoravelmente caótico Hallogallo — seu zine querido pela cena — e tocar no trio pós-punk Lifeguard, o projeto solo foi ficando de lado, até que a reedição, em março, de seu excelente segundo álbum Radio DDR reacendeu o interesse. Aquele disco, uma coleção de joias twee e rock desleixado, era a prova de sua habilidade incomparável para melodias afiadas e um amor profundo por mod culture e pela psicodelia dos anos 1960.

Enquanto Radio DDR soava como uma espécie de “greatest hits” prematuro, Balloon Balloon Balloon se comporta como um rádio enferrujado sintonizando transmissões de décadas longínquas. As gravações têm uma baixa fidelidade tão extrema que muitas vezes parecem vir de outro cômodo — como se estivéssemos vasculhando um caixote de compactos sem rótulo, cada um mais gasto do que o anterior. Há faixas que parecem hits esquecidos de algum grupo adolescente de outro século e outras que soam como experimentos estranhos escondidos no lado B de um single obscuro.

“Popafangout” abre o disco com a energia mais imediata — e também o momento de maior fidelidade. O que vem depois são vinte faixas esquisitas, caseiras, vivas, todas imersas em ruídos de ambiente, distorções granuladas e microfonias acidentais. Brincando com as convenções tradicionais da canção pop, Slater cria músicas desconfortavelmente familiares e, ao mesmo tempo, totalmente alienígenas. “Queen of Globes and Mirrors” parece uma balada de baile escolar atravessada por um sonho febril; já “Talking in Your Sleep”, “Takes So Long” e “(In a While) You’ll Be Mine” soam como deep cuts perfeitas de discos inventados, assinados por bandas barulhentas que nunca chegaram a existir.

Em uma entrevista recente ao The Line of Best Fit, o jornalista descreveu Balloon Balloon Balloon como “música de zine”, em contraste com o “jornalismo factual” de Radio DDR. A metáfora é precisa: se o álbum anterior era Slater tocando hits arquitetados com precisão, este novo trabalho é seu parque de diversões — um laboratório de experimentações retrô onde ele testa limites de fidelidade e expectativa. É quase impossível imaginar uma única pessoa compondo e gravando tudo isso sozinha, mas Slater claramente se diverte fazendo exatamente isso: enchendo metaforicamente cada balão apenas para vê-los estourar.

Balloon Balloon Balloon é, acima de tudo, um convite para entrar na cabeça caótica de um jovem artista que, ao invés de polir cada aresta, prefere deixá-las arranhar. O prazer está na imperfeição — e no estalo final.

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