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TTSSFU aprende a abraçar o caos

Depois de 18 meses que beiram o surreal, TTSSFU — o alter ego alt-pop de Tasmin Stephens, nascida em Wigan e baseada em Manchester — finalmente parece estar encontrando conforto no caos. Entre assinar com a Partisan Records, enfrentar bloqueios criativos, conquistar palcos cada vez maiores e até receber conselhos de Dave Grohl, sua jornada recente tem sido tão intensa quanto o som sujo, distorcido e emocionalmente cru de seu novo EP, Blown, que chega em 29 de agosto.

O período pré-lançamento não foi nada tranquilo. Assim que assinou com a Partisan, Stephens mergulhou em uma espiral de insegurança, temendo não conseguir corresponder às expectativas. “Eu simplesmente não conseguia escrever nada”, ela admite. A autocrítica pesada, somada à sensação de que seus shows estavam “doomers demais”, a fez repensar tudo — das letras ao próprio instinto artístico.

Foi só quando alguém a irritou profundamente que a engrenagem voltou a girar. Dessa faísca emocional nasceu Blown, um EP abrasivo e glitchado que carrega ecos de The Cure, Wolf Alice e Sky Ferreira. É um retrato honesto dos tropeços, das noites caóticas e das descobertas emocionais do início da vida adulta.
‘Cat Piss Junkie’ abre o EP como um hino desordenado de balada, enquanto ‘Forever’ mergulha em um shoegaze delicado dedicado à sua melhor amiga. A sequência desce a ladeira emocional com ‘Sick’, um mergulho gótico em desejos avassaladores, até culminar na vulnerável e etérea ‘Being Young’, inspirada em Xiu Xiu.

Mesmo lutando com o medo de exposição, Stephens percebeu que sua força sempre esteve na honestidade brutal. “Se eu fui escolhida pela Partisan, eu precisava me abrir ao máximo. É onde encontro minha melhor música”, diz ela.

Esse compromisso com a verdade já aparecia no EP anterior, Me, Jed and Andy, gravado integralmente no GarageBand, que chamou a atenção de quem acompanhava sua trajetória solo enquanto ela despontava também com sua banda de dreampop, Duvet. Logo, vieram os convites para abrir shows de nomes como Mannequin Pussy e Kim Deal — que, aliás, lhe deu o conselho mais rock’n’roll possível: “Use sapatos ou você vai levar choque no palco.”

A absorção desse novo mundo levou tempo. Stephens conta que mal lembrava dos primeiros grandes momentos, tamanho o turbilhão emocional. Até que um encontro com Dave Grohl a fez parar e respirar. “Ele nos deu um abraço incrível e disse que o Nirvana também detestava shows logo depois de tocar. A banda inteira ficou em choque.”

A experiência ao vivo também mudou sua perspectiva. Com banda completa, as músicas ganharam vida nova — e isso a fez perceber que precisava de mais alguém para levar Blown ao próximo nível. Entrou em cena o produtor Chris Ryan (NewDad, Just Mustard), que ajudou a estruturar o caos sem diluir sua essência. “Sou control freak com minha música, mas confiar nele foi um passo gigante”, diz.

E passos gigantes, aliás, parecem ser a especialidade de TTSSFU. Seu novo EP captura exatamente isso: uma jovem artista quebrando as caixas que ela mesma criou, experimentando sem medo e aprendendo a se levantar quando tudo parece desmoronar.

Blown, de TTSSFU, foi lançado em 29 de agosto pela Partisan Records.

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