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A música eletrônica entra para o patrimônio cultural imaterial da França

A música eletrônica foi oficialmente inscrita no patrimônio cultural imaterial francês, marcando um momento histórico para um gênero que, por décadas, transitou entre a marginalização e a vanguarda. O anúncio, publicado em 19 de dezembro de 2025, representa a primeira etapa rumo a uma eventual candidatura ao Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO.

A decisão reconhece a música eletrônica como um conjunto de práticas, saberes, expressões artísticas e modos de vida construídos coletivamente por comunidades, artistas, produtores, DJs, clubes e públicos ao longo de várias gerações. Para a associação Technopol, responsável pela Techno Parade de Paris desde 1998, trata-se de uma conquista simbólica e política. “É uma etapa histórica para a música eletrônica na França e para o reconhecimento de nossas práticas”, celebrou a entidade em suas redes sociais.

O percurso até esse reconhecimento foi tudo menos simples. Nascida de experimentações em computadores, sintetizadores e drum machines, muitas vezes associada à ilegalidade, à clandestinidade e à repressão policial, a cena eletrônica francesa enfrentou décadas de estigmatização. “As primeiras lágrimas que derramei pela música eletrônica foram sob gás lacrimogêneo, quando ela era demonizada”, relembrou Tommy Vaudecrane, presidente da Technopol, à AFP. “A lágrima de hoje é de alegria, ao ver nossa música finalmente inscrita no patrimônio cultural.”

Da emergência da French Touch nos anos 1990 — com artistas que redefiniram a música eletrônica global — até sua presença institucional em grandes eventos, como os Jogos Olímpicos de Paris 2024, o gênero consolidou-se como uma força cultural central na identidade contemporânea francesa. Esse movimento também é acompanhado por políticas públicas recentes, como a criação do selo Club Culture, iniciativa do Ministério da Cultura voltada ao reconhecimento dos clubes como espaços legítimos de expressão artística e celebração coletiva.

A música eletrônica passa agora a integrar uma lista diversa do patrimônio imaterial francês, ao lado da alta-costura parisiense, do Debaa das mulheres de Mayotte e dos quadrilles crioulos da Guadeloupe. Mais do que um reconhecimento institucional, essa inscrição legitima uma cultura que sempre se construiu na pista de dança, na experimentação sonora e na resistência — e que agora passa a ser oficialmente celebrada como parte fundamental da herança cultural da França.

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