Dois murais idênticos de Banksy surgem em Londres e reacendem debate sobre falta de moradia infantil
Dois murais idênticos atribuídos a Banksy apareceram recentemente em diferentes pontos de Londres, chamando a atenção do público e reacendendo discussões sociais profundas. A obra mais recente foi confirmada pelo próprio artista e surgiu em Queen’s Mews, Bayswater, no oeste da cidade. Poucos dias antes, um trabalho visualmente idêntico havia sido visto nas proximidades da Centre Point Tower, em Tottenham Court Road, no centro da capital britânica.
O mural em preto e branco retrata duas crianças deitadas de costas no chão, vestindo casacos de inverno, botas de borracha e gorros. Uma delas aponta para o céu, gesto que muitos interpretaram como símbolo de esperança, inocência ou contemplação. No segundo plano, uma figura maior — possivelmente um adulto — também aponta para cima, usando um gorro que lembra um chapéu de Papai Noel, o que reforça a leitura sazonal e social da obra.
Embora apenas o mural de Bayswater tenha sido oficialmente confirmado pelos representantes de Banksy, a BBC afirma que o artista também é responsável pela versão exibida em frente à Centre Point. Banksy anunciou o novo trabalho por meio de uma publicação em seu Instagram, mantendo o mistério característico que envolve suas intervenções urbanas.
Artistas e observadores interpretaram a escolha dos locais como uma crítica direta à falta de moradia infantil, tema historicamente ligado à região da Centre Point. O artista Daniel Lloyd-Morgan destacou que o local é simbólico, lembrando que a torre foi construída nos anos 1960, permaneceu vazia por mais de uma década e tornou-se um ícone de protestos por justiça habitacional antes de ser convertida em apartamentos de luxo. Para ele, o fato de muitos transeuntes ignorarem o mural reforça a mensagem: assim como na vida real, pessoas em situação de rua acabam sendo invisibilizadas.
O entusiasta de Banksy Jason Tomkins também acredita que a obra é uma declaração clara sobre a crise de moradia e observa que uma das crianças retratadas parece ser a mesma figura presente em “Season’s Greetings”, mural criado em Port Talbot em 2018 — algo incomum, já que Banksy raramente reutiliza personagens.
O trabalho na Centre Point surge na sequência de outro mural criado por Banksy em setembro, também em Londres, que mostrava um manifestante caído no chão segurando um cartaz ensanguentado, enquanto um juiz de peruca e toga se projetava sobre ele, empunhando um martelo. A obra apareceu no Queen’s Building, dentro do complexo da Royal Courts of Justice, mas foi removida poucos dias depois.
Já em 2024, Banksy realizou uma série conhecida como um verdadeiro “rastro de animais” pela capital britânica, espalhando murais com imagens de um bode, elefantes, gorila, macacos, piranhas, rinoceronte, pelicanos, entre outros animais, reforçando sua habilidade de usar imagens simples para provocar debates complexos sobre sociedade, poder e humanidade.
Como de costume, Banksy não comentou oficialmente o significado das novas obras. Ainda assim, os murais reforçam seu papel como um dos mais influentes artistas contemporâneos, utilizando o espaço urbano para provocar reflexão sobre desigualdade social, invisibilidade e injustiça.



