Glixen: o novo gigante do shoegaze que transforma ruído em refúgio
Em meio a um mundo em constante tensão, o shoegaze volta a ganhar força — e poucos nomes representam tão bem essa nova onda quanto o Glixen. Direto de Phoenix, Arizona, o quarteto vem consolidando um som que equilibra peso e delicadeza, ruído e catarse, mirando alto dentro de um gênero historicamente moldado por lendas como My Bloody Valentine e nomes mais recentes como Nothing.
O novo single “Unwind”, que chega às plataformas nesta sexta-feira (20 de fevereiro), marca uma virada estética importante. Se os primeiros lançamentos da banda flertavam com atmosferas mais etéreas e luminosas, agora guitarras densas e arrastadas criam um cenário mais sombrio, enquanto os vocais quase espectrais de Aislinn Ritchie atravessam a névoa sonora com uma vulnerabilidade inquietante. É um som que carrega angústia, mas também intensidade emocional — uma combinação que dialoga diretamente com o espírito do shoegaze clássico.
Formada em 2020, a banda não perdeu tempo. Desde então, dividiu palco com nomes de peso do indie como Interpol e DIIV, além de marcar presença em festivais de grande porte como o Coachella. A rotina intensa de turnês ajudou a expandir o público, mas também trouxe instabilidade — algo que inevitavelmente se infiltrou nas composições mais recentes.
Essa evolução já era perceptível no EP Quiet Pleasures, especialmente em faixas mais ásperas e emocionalmente carregadas. Ainda assim, o que diferencia o Glixen não é apenas o peso das guitarras, mas a capacidade de transformar barulho em paisagem sensorial. Há ambição ali — e consciência artística. O grupo nasceu após Ritchie e o guitarrista Esteban Santana decidirem levar o projeto musical a outro nível, deixando para trás experiências anteriores mais despretensiosas.
Musicalmente, ecos de Slowdive e até de gigantes alternativos como The Smashing Pumpkins aparecem nas camadas densas de distorção e nas melodias que emergem do caos. Mas o Glixen não soa como mera reverência: há identidade própria, sensualidade sutil e uma busca constante por expansão sonora.
Outro ponto fundamental é a representatividade. Em um território alternativo que historicamente careceu de diversidade, o impacto da banda vai além da música. Jovens fãs se veem refletidos no palco — e isso, para o grupo, tem tanto peso quanto qualquer crítica positiva.
Com turnês pela América do Norte e Japão já confirmadas, além de participação no Outbreak Festival em Manchester, o próximo passo é o aguardado álbum de estreia. A promessa é ampliar horizontes sem abandonar as raízes: menos rótulo, mais exploração.
Se o shoegaze sempre foi sobre escapar da realidade através do som, o Glixen entende perfeitamente essa missão. Aprendendo com os gigantes do passado, a banda parece pronta para escrever seu próprio capítulo — alto, distorcido e absolutamente necessário.
