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Viagra Boys transformam abertura para o Interpol em explosão caótica no Audio, em São Paulo

Na noite de 19 de março de 2026, o Audio virou um terreno instável e pulsante com a passagem dos Viagra Boys, escalados como responsáveis por aquecer o público para o show do Interpol, que subiria ao palco logo em seguida. Mas o que era para ser apenas uma abertura rapidamente ganhou contornos de atração principal — ao menos em intensidade.

Sem cerimônia, “Man Made of Meat” abriu o set como um soco direto, com o vocalista Sebastian Murphy conduzindo a banda em um estado de caos calculado. “Slow Learner” e “Waterboy” vieram na sequência, estabelecendo o equilíbrio entre o groove sujo e a ironia desconcertante que define o som do grupo.

O público, ainda chegando aos poucos para ver o Interpol, foi rapidamente engolido pela energia torta dos suecos. “Punk Rock Loser” e “Ain’t No Thief” transformaram a pista em um organismo vivo, pulsando no ritmo das linhas de baixo repetitivas e dos saxofones nervosos. Já “Uno II” e “Pyramid of Health” mostraram como a banda domina a arte de esticar a tensão até o limite sem perder o controle.

Na reta final, o show assumiu um caráter quase ritualístico. “Troglodyte” e “ADD” conduziram o público a um transe coletivo, enquanto “The Bog Body” aprofundou o clima estranho e hipnótico. Quando “Sports” começou, já não importava mais quem era headliner da noite — o coro veio alto, debochado, completamente entregue.

Encerrando com “Research Chemicals”, os Viagra Boys deixaram o palco como quem abandona uma cena de crime: sem explicações, mas com marcas evidentes. A sensação era de que tinham feito mais do que apenas abrir caminho — tinham bagunçado o terreno inteiro antes mesmo de o Interpol entrar em cena.

Em uma hora de show , provaram que, mesmo em posição de coadjuvantes na programação, são incapazes de soar menores. Pelo contrário: transformaram a espera em explosão e deixaram no ar a dúvida incômoda — quem realmente comandou a noite?

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