“Wonderwall” conquista a Inglaterra e vira o novo hino não oficial da seleção
Durante décadas, “Three Lions” foi considerada a trilha sonora definitiva da seleção inglesa. Mas a Copa do Mundo de 2026 parece ter inaugurado uma nova tradição: “Wonderwall”, clássico lançado pelo Oasis em 1995, tornou-se o grande canto das arquibancadas inglesas e vem embalando a campanha da equipe comandada por Thomas Tuchel.
Após vitórias dramáticas no mata-mata, jogadores e torcedores passaram a celebrar juntos entoando o hit do álbum (What’s the Story) Morning Glory?, formando imagens que rapidamente viralizaram nas redes sociais. Braços entrelaçados, milhares de vozes cantando o famoso refrão e uma atmosfera de união ajudaram a transformar a música em um dos símbolos da campanha inglesa.
Nem mesmo Harry Kane escapou da festa. Depois de uma partida decisiva, o capitão apareceu rouco nas entrevistas, levando Liam Gallagher a brincar nas redes sociais que cantar “Wonderwall” com a torcida seria a verdadeira explicação para a perda da voz.
Ao contrário de “Three Lions”, composta especificamente para a Eurocopa de 1996, “Wonderwall” jamais foi criada pensando em futebol. Talvez justamente por isso sua conexão pareça mais autêntica.
Canções que se tornam hinos espontaneamente costumam permanecer por mais tempo na cultura das torcidas. “Wonderwall” reúne características ideais para isso: é fácil de cantar, possui um refrão marcante e desperta uma forte carga emocional sem mencionar futebol, rivalidades ou títulos.
Seu famoso “Maybe…” transmite perfeitamente a esperança que acompanha qualquer campanha de Copa do Mundo — um sentimento compartilhado por milhões de torcedores.
Embora continue sendo um clássico do futebol inglês, “Three Lions” também carrega uma carga histórica muito específica.
A música gira em torno do famoso verso “Football’s Coming Home” e da eterna lembrança do título mundial conquistado em 1966. Com o passar das décadas, parte dessa nostalgia passou a ser vista por alguns torcedores como excessivamente presa ao passado.
Já “Wonderwall” representa algo diferente: não fala sobre vitórias antigas nem cria expectativas patrióticas explícitas. Sua letra aberta permite que cada pessoa atribua um significado próprio à canção.
Outro fator importante para esse fenômeno foi o retorno do Oasis aos palcos em 2025. A aguardada reunião dos irmãos Gallagher recolocou “Wonderwall” no centro da cultura pop mundial.
Os shows reuniram milhares de fãs — muitos vestidos com camisas de futebol e roupas típicas da cultura britânica ligada às arquibancadas — reforçando ainda mais a associação entre a banda de Manchester e o esporte.
Embora clubes como o Manchester City já utilizassem a música há anos em celebrações, foi somente durante a Copa de 2026 que ela passou a representar toda a seleção inglesa.
Sob o comando de Thomas Tuchel, a Inglaterra parece viver um momento diferente. Depois de anos marcados pelo peso das derrotas históricas, a equipe transmite uma imagem mais leve, confiante e voltada para o futuro.
Nesse contexto, “Wonderwall” tornou-se mais do que uma simples música de estádio. Ela simboliza uma geração que prefere olhar para frente, deixando de lado o peso constante da conquista de 1966.
Se a seleção inglesa conseguirá transformar essa sintonia em mais um título mundial ainda é uma incógnita. Mas uma coisa parece certa: “Wonderwall” finalmente encontrou o seu lugar como o novo grande hino das arquibancadas inglesas.
