Beth Orton revela os bastidores de The Ground Above faixa por faixa
A cantora e compositora britânica Beth Orton abriu as portas do processo criativo de The Ground Above, seu nono álbum de estúdio, em um comentário faixa por faixa publicado pela Rolling Stone UK. O disco marca seu retorno após quatro anos sem um trabalho inédito e reafirma sua habilidade de transitar entre o folk, a eletrônica, o jazz e a música alternativa.
Segundo Orton, The Ground Above foi concebido em torno de dois temas inevitáveis da existência: o luto e a morte. Para a artista, essas experiências também representam transformação e renascimento, servindo como o eixo emocional de um álbum profundamente pessoal.
A faixa-título, “The Ground Above”, funciona como a declaração de intenções do disco. Beth descreve a música como uma reflexão sobre o poder transformador do amor e da arte, explicando que a música sempre foi sua “capa da invisibilidade”. Ela afirma ainda que a maternidade ampliou sua consciência política, fazendo com que o álbum ganhasse novos significados diante das turbulências do mundo contemporâneo.
Em “Before I Knew”, a cantora optou por preservar a espontaneidade da gravação ao vivo. Registrada praticamente em uma única tomada, a faixa reúne músicos como Chris Vatalaro, Tom Herbert, Sam Beste, Adrian Utley e Sam Amidon, resultando em uma das interpretações mais orgânicas do álbum.
Já “Cigarette Curls” passou por um intenso processo colaborativo. O produtor Paul Butler acrescentou harmonias, metais e cordas à gravação original, enquanto Nick Hakim, uma das maiores influências recentes de Orton, contribuiu com vocais que deram uma nova dimensão à canção.
Em “Waiting”, Beth parte de uma inspiração inicial em Terry Callier antes de transformar a música em algo próximo do universo de Van Morrison. A versão final ganhou um novo início ao piano gravado em seu estúdio caseiro, além de arranjos de órgão, flauta e backing vocals que ampliaram o caráter cinematográfico da composição.
A delicada “Celestial Light” nasceu durante sessões realizadas em Nova York com músicos que acompanharam Beth na turnê de Weather Alive. A artista define a faixa como uma declaração de amor às paisagens naturais, à poesia e ao sentimento de gratidão.
Em “I’ll Miss You”, Orton revela ter buscado inspiração na poeta russa Anna Akhmatova. A canção combina batidas criadas por Tom Skinner, piano, guitarras atmosféricas de Dave Okumu e diversos instrumentos adicionados posteriormente por Shahzad Ismaily.
A contemplativa “Love You Right” surgiu enquanto a cantora lia poemas de Dylan Thomas e refletia sobre a tradição da música country americana. Embora tenha sido descrita pelo baterista Chris Vatalaro como uma espécie de canção gospel, Beth afirma que a música nasceu simplesmente de um sentimento genuíno.
Fechando o percurso emocional do álbum, “Otherside” foi inspirada pelo canto dos pássaros ao amanhecer. Para Orton, a ideia de que cada novo dia representa uma oportunidade para recomeçar sintetiza a mensagem da música, construída sobre os temas da compaixão, do perdão e da esperança.
Com The Ground Above, Beth Orton entrega um de seus trabalhos mais confessionais, utilizando memórias, literatura e colaborações musicais para construir um disco que trata das perdas da vida sem abrir mão da possibilidade de renovação.
