Black Sabbath ganha edições de Black Sabbath e Paranoid em fita de rolo
Em um momento em que praticamente toda a história da música pode ser acessada por um celular, o Black Sabbath está fazendo um movimento na direção oposta. Os dois primeiros álbuns da banda, Black Sabbath e Paranoid, lançados originalmente em 1970, acabam de ganhar novas edições em fita de rolo (reel-to-reel) pela Rhino High Fidelity.
A proposta é voltada para um público bastante específico: colecionadores e audiófilos que ainda mantêm equipamentos capazes de reproduzir fitas magnéticas e que enxergam o formato como uma experiência de escuta, e não apenas como outra maneira de armazenar música.
Cada um dos álbuns recebeu uma tiragem limitada a 500 exemplares. As edições aparecem no catálogo da Rhino por US$ 299,98 cada e utilizam bobinas metálicas de 10,5 polegadas. O material é apresentado em fita de 1/4 de polegada, meia pista, com velocidade de 15 ips e especificação de equalização IEC. (Rhino)
A escolha dos títulos não poderia ser mais simbólica. Black Sabbath, lançado no início de 1970, apresentou uma banda que ajudaria a redefinir os limites do rock pesado. Tony Iommi, Geezer Butler, Bill Ward e Ozzy Osbourne criaram naquele período uma combinação de guitarra grave, baixo poderoso, bateria pesada e uma atmosfera sombria que se tornaria uma das principais marcas do grupo.
Poucos meses depois veio Paranoid. O segundo álbum ampliou enormemente o alcance da banda e reuniu algumas de suas composições mais conhecidas, entre elas “War Pigs”, “Iron Man”, “Paranoid” e “Fairies Wear Boots”. O disco chegou ao primeiro lugar das paradas britânicas e se transformou no álbum mais vendido da carreira do Black Sabbath. (Wikipedia)
Curiosamente, a própria faixa “Paranoid” nasceu de maneira quase acidental. Durante as sessões do álbum, a banda precisava de mais uma música para completar o trabalho e acabou registrando rapidamente aquele que se transformaria em um de seus maiores clássicos. O single alcançou a quarta posição no Reino Unido. (Wikipedia)
O retorno da fita de rolo
O interesse pelo reel-to-reel acompanha o movimento de valorização dos formatos físicos e da reprodução analógica. Diferentemente do streaming, em que a música chega ao ouvinte através de uma cadeia digital praticamente invisível, a fita coloca o próprio suporte no centro da experiência.
Também é um formato que exige mais do ouvinte. É preciso ter um equipamento apropriado, cuidar das bobinas e reservar espaço para uma mídia muito maior do que um LP ou CD. Em compensação, o sistema de fita de rolo permite trabalhar com gravações em alta velocidade e uma reprodução extremamente detalhada quando todo o conjunto — fita, aparelho e sistema de áudio — está corretamente configurado.
No caso dessas novas edições, a Rhino aposta justamente nesse público disposto a investir em uma experiência de reprodução mais especializada. A descrição oficial confirma o uso de fita de 1/4 de polegada, meia pista e 15 ips, características associadas a lançamentos direcionados ao mercado audiófilo. (Rhino)
Existe ainda uma ironia interessante nessa história. Black Sabbath e Paranoid são discos que nasceram em uma época em que a fita era parte fundamental do processo de gravação e produção musical. Mais de cinco décadas depois, o mesmo conceito retorna como um produto de luxo para um mercado extremamente especializado.
Para quem cresceu ouvindo Black Sabbath em vinil, CD ou posteriormente em plataformas digitais, o reel-to-reel acrescenta uma outra dimensão à relação com esses álbuns. Não se trata apenas de apertar o play: existe o ritual de colocar a fita, observar as bobinas começarem a girar e acompanhar fisicamente a reprodução.
E talvez seja justamente isso que torna o lançamento curioso. Em uma indústria acostumada a buscar formas cada vez mais rápidas e práticas de consumir música, o Black Sabbath reaparece em um formato que exige exatamente o contrário: tempo, equipamento e dedicação.
Para colecionadores de áudio e fãs da primeira fase da banda, Black Sabbath e Paranoid agora podem ocupar um espaço ainda mais especial na estante — e, principalmente, no sistema de som.
