Hoje tem Chapterhouse no Cine Joia: shoegaze dos anos 90 chega a São Paulo
É hoje. Nesta terça-feira, 29 de setembro, o Chapterhouse sobe ao palco do Cine Joia, em São Paulo, para uma apresentação única que coloca novamente em evidência uma das bandas fundamentais do dream pop e do shoegaze britânico dos anos 1990. A noite terá ainda o terraplana, um dos nomes de destaque da atual cena brasileira de rock alternativo e shoegaze.
Formado em Reading, na Inglaterra, o Chapterhouse construiu uma trajetória particular dentro da música alternativa britânica. Ao lado de nomes como Ride e Slowdive, o grupo ajudou a desenvolver uma sonoridade em que guitarras carregadas de efeitos, atmosferas psicodélicas, melodias pop e batidas dançantes conviviam de maneira pouco convencional.
A banda, de certa forma, sempre pareceu chegar antes da hora. O Chapterhouse era psicodélico quando o acid house começava a dominar as pistas; estava associado ao shoegaze enquanto o grunge ganhava força; e explorava uma combinação de rock experimental e dance music quando o Britpop começava a tomar conta do Reino Unido. Com a perspectiva do tempo, fica mais evidente como o grupo ocupava uma posição singular naquela cena.
Formado no verão de 1987 por amigos de escola de Reading, o Chapterhouse começou tocando covers de The Stooges e músicas das coletâneas Pebbles. A diversão entre amigos rapidamente ganhou proporções maiores, e o grupo acabou se aproximando do Spacemen 3, que teve papel importante nos primeiros passos da banda.
Depois de alguns EPs, veio “Pearl”, faixa que sintetizava boa parte da proposta do grupo: guitarras expansivas, psicodelia e uma base rítmica que dialogava tanto com o rock quanto com a música eletrônica. A gravação contou ainda com vocais de apoio de Rachel Goswell, do Slowdive, outra banda fundamental da cena de Reading.
“Pearl” permanece como uma das faixas mais emblemáticas da primeira fase do Chapterhouse e ajuda a entender a importância do grupo na transformação do indie britânico do final dos anos 1980 e início dos 90.
Whirlpool, o clássico do shoegaze
Em 1991, o Chapterhouse lançou Whirlpool, seu álbum de estreia e um dos trabalhos mais celebrados da história do shoegaze. O disco equilibra guitarras densas e efeitos psicodélicos com melodias acessíveis, criando uma sonoridade que continua atual décadas depois de seu lançamento.
Faixas como “Breather”, “Falling Down” e “Pearl” se tornaram referências daquele momento da música alternativa britânica. O álbum também contou com a participação de Robin Guthrie, do Cocteau Twins, aproximando ainda mais o Chapterhouse da tradição do dream pop.
O dream pop, aliás, é uma das chaves para compreender a sonoridade da banda. O gênero surgiu a partir da música alternativa dos anos 1980 e se caracteriza por atmosferas etéreas, reverberações, delays, texturas densas e vocais suaves. Embora frequentemente associado ao shoegaze, o dream pop costuma trabalhar com melodias mais evidentes e uma abordagem menos centrada na distorção das guitarras.
O Chapterhouse sempre transitou justamente nesse espaço entre os dois mundos.
Depois de Whirlpool, a banda lançou Blood Music, em 1993. Dois anos depois, encerrou suas atividades.
A história, porém, não terminaria ali.
O retorno
Em 2008, o Chapterhouse voltou aos palcos para uma apresentação que inicialmente seria apenas uma ocasião especial. O reencontro acabou levando a uma reunião definitiva no ano seguinte, seguida por apresentações no Reino Unido, Estados Unidos e Japão.
Agora, em 2026, o Chapterhouse retorna para uma nova série de apresentações, 35 anos depois do lançamento de Whirlpool.
O momento também ganha importância pelo próprio processo de revalorização do shoegaze ao longo das últimas décadas. O que durante muito tempo foi tratado como uma cena específica do início dos anos 1990 passou a influenciar sucessivas gerações de bandas e ouvintes.
No palco do Cine Joia, o Chapterhouse será formado por Stephen Patman (guitarra e voz), Andrew Sheriff (guitarra e voz), Robin Light (guitarra), Ashley Bates (bateria) e Michael Secker (baixo).
terraplana abre a noite
Antes do Chapterhouse, o palco será ocupado pelo terraplana.
A banda curitibana chega a São Paulo apresentando o repertório de natural, seu segundo álbum, lançado em março de 2025 pela Balaclava Records.
O disco preserva parte da atmosfera nostálgica presente nos trabalhos anteriores, mas amplia os caminhos sonoros do grupo para além do shoegaze, incorporando elementos de post-hardcore, slowcore e outras vertentes do rock alternativo.
O repertório também passa por músicas de olhar pra trás (2023) e do EP Exílio (2017).
O terraplana é formado por Stephani Heuczuk (voz e baixo), Vinícius Lourenço (voz e guitarra), Cassiano Kruchelski (voz e guitarra) e Wendeu Silverio (bateria).
Com as portas abertas às 19h, o terraplana sobe ao palco às 20h, seguido pelo Chapterhouse, com apresentação prevista para 21h30.
Os últimos ingressos estão disponíveis para Pista e Camarote. Quem quiser comprar sem taxa de conveniência pode procurar o Takkø Café, na Vila Buarque, ponto de venda físico oficial.
SERVIÇO
Balaclava apresenta: Chapterhouse (UK) e terraplana em São Paulo
Data: 29 de setembro de 2026
Local: Cine Joia
Endereço: Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade – São Paulo
Portas: 19h
terraplana: 20h
Chapterhouse: 21h30
Classificação: 16 anos. Menores de 16 anos acompanhados dos pais ou responsável legal.
Ingressos: disponíveis pela Ingresse, nos setores Pista e Camarote.
Ponto de venda físico sem taxa de conveniência:
Takkø Café
R. Maj. Sertório, 553 – Vila Buarque – São Paulo/SP
Terça a sexta, das 8h às 17h
Sábados, domingos e feriados, das 9h às 18h.
Redes do Chapterhouse: Instagram, YouTube e Facebook.
