Pular para o conteúdo principal

PUMP UP THE VOLUME

BlogEditor's PickMust Read

Depois da estreia histórica no Brasil, Chapterhouse leva Whirlpool 35 ao Chile

Banda britânica apresenta pela primeira vez em Santiago a turnê que celebra os 35 anos de Whirlpool

O Chapterhouse está atravessando a América Latina com uma missão bastante específica: voltar a colocar em circulação, diante de novas plateias, um dos discos fundamentais da primeira geração do shoegaze britânico. Depois de passar pelo Brasil, Peru e Argentina, a banda chega agora ao Chile para sua primeira apresentação no país, nesta sexta-feira, 9 de outubro, na Sala RBX, em Santiago.

A apresentação chilena acontece dentro da turnê Whirlpool 35, criada para comemorar os 35 anos do álbum de estreia lançado em 1991. O disco permanece como o trabalho mais associado à identidade do Chapterhouse e ajudou a consolidar a combinação de guitarras densas, efeitos, melodias etéreas e elementos psicodélicos que marcariam a banda.

Mas antes de chegar a Santiago, o Chapterhouse deixou uma impressão muito forte no Brasil.

Uma estreia que demorou quase quatro décadas

No dia 29 de setembro, o Cine Joia, em São Paulo, recebeu a primeira apresentação brasileira do Chapterhouse. A espera foi particularmente significativa para uma banda que surgiu em Reading em 1987 e que, durante décadas, permaneceu como uma referência cultuada por fãs do shoegaze e do dream pop.

A noite começou com o terraplana e terminou transformando o Cine Joia em uma enorme massa de guitarras, reverberação e ruído. A formação do Chapterhouse colocou três guitarras, baixo e bateria no palco, criando uma parede sonora que não dependia apenas da nostalgia.

Stephen Patman e Andrew Sherriff dividiram guitarras e vocais, enquanto Robin Light completou o ataque de três guitarras. Michael Secker ficou responsável pelo baixo e Ashley Bates, atrás da bateria, teve um papel fundamental na condução do som.

E foi justamente a bateria que ajudou a impedir que aquela quantidade de guitarras transformasse o show em uma massa sem direção. Bates funcionou como o eixo rítmico da apresentação, mantendo as músicas em movimento enquanto as guitarras construíam e desmontavam as camadas de som.

Whirlpool do começo ao fim

Em São Paulo, o Chapterhouse não tratou Whirlpool como uma simples coleção de clássicos. O álbum foi apresentado como uma obra completa.

“Ecstasy II”, “Breather”, “Pearl”, “Autosleeper”, “Treasure”, “Falling Down”, “April”, “Guilt”, “If You Want Me” e “Something More” formaram o núcleo da apresentação. O repertório mostrou que Whirlpool vai muito além da definição simplificada de shoegaze: há psicodelia, pop, eletrônica, ritmo e uma preocupação evidente com a construção das músicas.

O resultado também revelou as características e os limites de uma banda com três guitarras. Em alguns momentos, o volume e a quantidade de frequências fizeram o som ficar propositalmente caótico, enquanto em outros as camadas se encaixavam com precisão e reproduziam ao vivo a atmosfera que tornou o disco tão importante.

O público brasileiro, por sua vez, conhecia aquelas músicas. Não era apenas uma plateia assistindo a uma banda histórica. Era uma geração que finalmente podia ouvir no palco músicas que durante anos existiram principalmente nos discos, CDs, arquivos digitais e lembranças de quem acompanhou o shoegaze à distância.

E a banda não parou em Whirlpool

Depois de tocar o álbum, o Chapterhouse poderia ter encerrado a noite.

Não foi o que aconteceu.

A banda continuou com “Precious One”, “Then We’ll Rise”, “Come Heaven”, “In My Arms”, “Greater Power” e “Love Forever”, ampliando o repertório para outras fases de sua trajetória.

E ainda houve o bis.

Depois de deixar o palco, o grupo voltou para tocar “Mesmerise” e “Need (Somebody)”, encerrando uma noite que acabou funcionando como uma espécie de acerto de contas com uma longa ausência.

A reação de Ashley Bates ao retornar ao palco resumiu bem o que acontecia diante dele. Surpreso com a intensidade da recepção brasileira, o baterista chegou ao microfone e soltou um incrédulo “What the actual fuck?”.

Agora é a vez do Chile

Pouco mais de uma semana depois da passagem por São Paulo, o Chapterhouse chega a Santiago para repetir a experiência diante de um público que também esperou décadas pela oportunidade.

O show desta sexta-feira, 9 de outubro, acontece na Sala RBX, na Avenida Vicuña Mackenna, 1220. A apresentação está marcada para as 20h, com o Chapterhouse programado para tocar às 21h.

A produção chilena apresenta o evento como uma oportunidade para os fãs de Chapterhouse, Slowdive, My Bloody Valentine, Sonic Youth, Dinosaur Jr., The Byrds, Cocteau Twins, The Jesus and Mary Chain e The Velvet Underground.

Mas o que o público chileno encontrará não será apenas uma banda reproduzindo um disco antigo.

Depois da passagem pelo Brasil e das apresentações seguintes pela América Latina, o Chapterhouse chega a Santiago com uma formação que provou que Whirlpool ainda possui força quando transportado para um palco. As três guitarras continuam sendo o centro da experiência, mas é a interação entre guitarras, baixo e bateria que mantém o repertório vivo.

O Brasil já teve sua noite.

Agora, o Chile terá a oportunidade de descobrir ao vivo por que Whirlpool, 35 anos depois de seu lançamento, continua sendo uma peça tão importante da história do shoegaze.

E se a recepção encontrada em São Paulo servir como parâmetro, o Chapterhouse pode encontrar em Santiago outra plateia disposta a cantar, gritar e atravessar décadas para finalmente ver essas músicas diante dos próprios olhos.

Chapterhouse no Chile

Data: 9 de outubro de 2026
Local: Sala RBX, Santiago, Chile
Endereço: Av. Vicuña Mackenna 1220
Turnê: Whirlpool 35
Horário: 21h
Ingresso: Passline

Image
Image
Image
Image

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *