U2 lança EP surpresa Easter Lily e The Edge explica urgência criativa
O U2 voltou a surpreender os fãs ao lançar, sem aviso prévio, o EP Easter Lily na última sexta-feira (3 de abril), coincidindo com a Sexta feira santa. O trabalho de seis faixas chega como continuação direta de Days Of Ash, divulgado anteriormente durante a Quarta feira de cinzas.
Em entrevista à nova edição digital da revista Propaganda, o guitarrista The Edge revelou que o lançamento seguiu uma lógica incomum: a vontade das próprias músicas. “As canções são o chefe — você tem que fazer o que elas dizem ou elas vão te abandonar por outra pessoa”, explicou, destacando o caráter quase orgânico do processo criativo.
Segundo ele, algumas faixas inicialmente pensadas para o próximo álbum da banda começaram a “exigir atenção especial”, criando uma identidade própria. Isso levou o grupo a tratá-las como um projeto independente, com um tom mais introspectivo e espiritual em comparação ao caráter mais político e direto de Days Of Ash.
A conexão com datas do calendário cristão não foi por acaso, mas também não deve ser interpretada de forma literal. Para The Edge, os lançamentos refletem uma busca por significado em tempos atuais: uma tentativa de resgatar rituais e momentos de reflexão em uma era cada vez mais materialista.
O produtor Jacknife Lee, colaborador de longa data desde How To Dismantle An Atomic Bomb, reforçou essa ideia ao afirmar que a banda está mais interessada em reagir ao presente do que seguir o modelo tradicional de álbum. Já Bono participa da publicação em uma conversa com o pensador Richard Rohr, ampliando o caráter reflexivo do projeto.
Enquanto isso, o futuro álbum do U2 continua em desenvolvimento. Segundo Bono, a banda já escreveu dezenas de músicas e busca criar algo realmente relevante — “o som do futuro”. A expectativa é que o sucessor de Songs Of Experience (2017) represente uma nova fase criativa para o grupo.
Com Easter Lily, o U2 reforça sua disposição de quebrar padrões e explorar formatos mais imediatos e conceituais — deixando claro que, às vezes, são as próprias músicas que decidem quando (e como) devem ser ouvidas.
