Kasabian adia Act III, aposta em perfeccionismo e revela o poderoso single “Superpowers”
Após anunciar que seu aguardado nono álbum chegaria em julho, o Kasabian decidiu apertar o freio. A banda de Leicester confirmou que Act III, inicialmente previsto para 17 de julho, foi adiado para 4 de setembro de 2026. A notícia veio acompanhada do lançamento de “Superpowers”, novo single que amplia o horizonte sonoro do grupo e reforça a confiança de Serge Pizzorno na fase iniciada após assumir definitivamente os vocais da banda.
Longe de representar um problema nos bastidores, o adiamento foi apresentado como uma decisão artística. Em comunicado aos fãs, o Kasabian explicou que o disco voltou para a “mesa de operação” para receber ajustes finais.
“Não poderíamos lançar o álbum sem acertar tudo. Álbuns são para sempre. Confiem em nós, vai valer a pena.”
A declaração revela muito sobre o momento vivido pela banda. Em uma indústria cada vez mais acelerada, onde a pressão por lançamentos constantes muitas vezes supera o cuidado artístico, o Kasabian escolheu fazer exatamente o oposto: atrasar o cronograma para garantir que o resultado final corresponda à visão da banda.
A música surpreende ao incorporar influências do G-Funk, gênero que marcou a costa oeste americana nos anos 1990 através de sintetizadores elásticos, linhas de baixo encorpadas e grooves relaxados. Embora essa não seja uma referência normalmente associada ao Kasabian, a banda consegue absorver esses elementos sem perder sua identidade construída ao longo de mais de duas décadas.
A produção mantém o DNA psicodélico e eletrônico característico do grupo, mas introduz uma atmosfera mais descontraída, mostrando que Serge Pizzorno continua disposto a expandir o vocabulário musical da banda.
É justamente essa inquietação que sempre diferenciou o Kasabian de muitos contemporâneos do indie britânico. Desde o álbum de estreia, em 2004, o grupo nunca se limitou ao formato tradicional das guitarras. Rock eletrônico, música de pista, hip-hop, psicodelia e britpop sempre coexistiram em seu universo criativo.
Outro destaque do lançamento é a participação do premiado ator Stephen Graham, que aparece em um vídeo promocional recitando a letra de “Superpowers” ao lado de Serge Pizzorno.
Conhecido por atuações marcantes em produções para cinema e televisão, Graham empresta intensidade dramática ao vídeo, transformando a divulgação do single em algo que vai além de um simples clipe promocional.
A colaboração reforça o interesse do Kasabian em explorar diferentes linguagens visuais para apresentar esta nova fase.
Desde a saída de Tom Meighan, em 2020, muitos questionavam como seria o futuro da banda. Pizzorno, principal compositor desde o início da carreira, assumiu naturalmente a função de vocalista e, disco após disco, demonstrou que o Kasabian continuava sendo, acima de tudo, sua visão artística.
Se nos primeiros anos havia dúvidas sobre como o grupo sobreviveria à mudança, hoje elas praticamente desapareceram. Os lançamentos recentes mostram uma banda confortável em sua nova formação, sem tentar reproduzir o passado, mas também sem romper completamente com sua identidade.
Em entrevistas recentes, Pizzorno revelou que Act III nasceu impulsionado por um sentimento constante de síndrome do impostor, usando essa inquietação como combustível criativo. Essa combinação entre autocrítica e ambição parece atravessar todo o projeto.
O anúncio do adiamento certamente frustrará parte dos fãs mais ansiosos, mas dificilmente diminuirá a expectativa em torno do novo álbum.
Se “Superpowers” servir como indicativo do restante do trabalho, Act III poderá representar mais um capítulo da capacidade quase camaleônica do Kasabian de absorver novas influências sem perder sua personalidade.
Em vez de correr para cumprir uma data de lançamento, a banda optou por fazer o que considera mais importante: entregar um álbum que resista ao tempo. Em uma época dominada pela velocidade do streaming, talvez essa seja justamente a decisão mais ousada.
