Pitchfork Festivals processa cofundador e o acusa de desviar mais de US$ 560 mil
O fim do Pitchfork Music Festival ganhou um novo e polêmico capítulo. A empresa Pitchfork Festivals LLC entrou com uma ação judicial na Justiça Federal de Chicago contra um de seus fundadores, Mike Reed, acusando-o de desviar US$ 564.680 pertencentes ao festival por meio de reembolsos supostamente falsos relacionados à edição de 2025, que acabou cancelada.
Segundo o processo, Reed teria apresentado despesas que, na visão da empresa, não existiam ou já haviam sido cobertas anteriormente, mantendo em sua posse recursos que deveriam ser devolvidos após o encerramento das operações do evento.
De acordo com a ação, a Pitchfork Festivals e a empresa de produção Big Stik LLC, pertencente a Mike Reed, mantinham desde 2019 um contrato para administrar a produção do festival, incluindo a gestão da conta bancária utilizada para os custos operacionais.
Durante a preparação da edição de 2024, a Pitchfork afirma ter transferido aproximadamente US$ 3,97 milhões para a Big Stik cobrir despesas relacionadas ao evento.
Após a realização do festival de 2024, representantes da empresa afirmam ter informado Reed de que a controladora Condé Nast pretendia seguir com a edição de 2025. No entanto, segundo o processo, nunca foi firmado um novo contrato de trabalho nem apresentado qualquer orçamento oficial para a preparação da próxima edição.
Meses depois, em novembro de 2024, a empresa decidiu cancelar definitivamente o Pitchfork Music Festival 2025.
O ponto central da ação ocorreu em janeiro de 2025, quando a Pitchfork solicitou a devolução do saldo restante da conta destinada ao festival.
Segundo o processo, em vez de devolver os recursos, Reed apresentou um documento denominado “Wind Down Settlement Report”, no qual justificava que todo o valor restante havia sido consumido por despesas relacionadas ao encerramento das operações do festival.
A empresa, porém, sustenta que grande parte dessas despesas nunca chegou a ser realizada e acusa Reed de criar um relatório contendo informações falsas para justificar exatamente o montante que estava sendo solicitado de volta.
Entre os custos apresentados estariam despesas com:
- mão de obra;
- produção;
- taxas de cancelamento;
- armazenamento;
- honorários jurídicos;
- contabilidade;
- impostos.
A Pitchfork também afirma que Reed teria “engenheirado” o relatório para coincidir precisamente com o saldo existente na conta do festival.
Outro ponto destacado na ação judicial é a alegação de que Reed teria transferido os recursos da Big Stik para outra empresa sob seu controle, chamada At Pluto Ltd, em vez de devolver o dinheiro à Pitchfork.
Segundo os advogados da empresa, essa movimentação só teria sido descoberta posteriormente durante um processo arbitral relacionado ao caso.
Com base nas acusações, a Pitchfork Festivals LLC pede que a Justiça responsabilize Reed por fraude, enriquecimento sem causa, quebra de dever fiduciário, conversão indevida de recursos, prestação de contas e transferência fraudulenta de ativos.
Mike Reed é considerado uma figura importante da cena musical de Chicago há mais de duas décadas. Além de produtor cultural, é músico e proprietário do tradicional bar Hungry Brain, conhecido por sediar apresentações de jazz e música experimental.
Em entrevistas anteriores, Reed sempre destacou que o Pitchfork Music Festival era voltado para amantes da música, diferenciando o evento de grandes festivais como o Lollapalooza, que, segundo ele, oferecem uma experiência mais ampla de entretenimento.
Realizado durante 19 anos no Union Park, em Chicago, o Pitchfork Music Festival consolidou-se como um dos eventos mais respeitados da música alternativa, indie e experimental do mundo.
Seu encerramento, anunciado em 2024, foi atribuído às profundas mudanças no mercado de festivais musicais. Agora, o processo judicial entre seus antigos parceiros adiciona um desfecho conturbado à história de um dos eventos mais influentes da música independente nas últimas duas décadas.
