Bienal de Música Eletroacústica anuncia programação com concertos, debates e experiências sonoras
A música contemporânea ocupará diferentes espaços de São Paulo em outubro com a realização da XVI Bienal de Música Eletroacústica de São Paulo (Bimesp). O evento acontece de 1º a 16 de outubro, com atividades no Sesc Santo Amaro e no Instituto de Artes da Unesp, reunindo concertos, encontros, masterclasses e experiências dedicadas às possibilidades da criação musical mediada pela tecnologia.
A edição deste ano também marca duas datas importantes: os 80 anos do Sesc e os 50 anos da Unesp. Criada pelo compositor Flo Menezes, à frente do Studio PANaroma de Música Eletroacústica da Unesp, a Bimesp se consolidou como um dos principais espaços brasileiros voltados à pesquisa, criação e difusão da música eletroacústica.
Diretor artístico da edição, Menezes apresenta a Bienal como um convite à descoberta de novas formas de ouvir. A coordenação do evento é assinada por Alex Buck.
A programação atravessa diferentes vertentes da produção eletroacústica. Estão incluídas obras acusmáticas, apresentadas exclusivamente por meio de alto-falantes, trabalhos que combinam instrumentos acústicos e recursos eletrônicos, paisagens sonoras, música produzida integralmente em ambientes computacionais e criações audiovisuais que estabelecem relações entre som e imagem.
Primeiros concertos
A abertura acontece no Sesc Santo Amaro, no dia 1º de outubro, com um concerto didático dedicado a S(c)enario, de Flo Menezes. A apresentação será acompanhada por uma palestra do compositor e contará com a participação do Grupo PIAP de Percussão da Unesp.
No dia seguinte, 2 de outubro, o Ensemble L’Itinéraire, grupo francês especializado em música contemporânea, apresenta obras de Aurélio Edler-Copes, Javier Álvarez, Flo Menezes, Michelle Agnes e Marco Suarez Cifuentes.
A programação segue no dia 3, também no Sesc Santo Amaro, com peças de Tristan Murail, Alexandros Markeas, Gérard Grisey, Fausto Romitelli e Natasha Barrett.
Depois dos três primeiros dias, as atividades passam a acontecer no Instituto de Artes da Unesp, onde a Bienal desenvolve uma programação dividida em diferentes painéis.
Uma retrospectiva da música eletroacústica
Entre os destaques estão os Painéis do Studio PANaroma, programados para os dias 6, 9, 12 e 15 de outubro. O conjunto apresenta trabalhos relacionados à trajetória do projeto, abrangendo obras produzidas entre as décadas de 1970 e 2026.
O Painel dos Estúdios – Akademie der Künste, de Berlim, acontece no dia 6. Já o Painel Histórico será realizado nos dias 7 e 8.
A Bienal também dedica sessões a compositores específicos. Georg Katzer será tema de um painel no dia 7, enquanto François Bayle recebe programação especial no dia 16.
A presença de Bayle se estende ainda à Sala de Escuta, realizada entre os dias 12 e 15, com as obras Jeita ou Murmure des eaux e Le Projet Ouïr.
Música de diferentes países e novas poéticas
O programa internacional inclui o Painel dos Países, dedicado a compositores da Grã-Bretanha, no dia 15.
Já o Painel dos Panaromas, com curadoria de Alex Buck, acontece nos dias 12 e 13, enquanto o Painel da Música Mista, marcado para o dia 14, reúne trabalhos que aproximam instrumentos tradicionais e recursos eletrônicos.
A programação pedagógica também ocupa espaço importante na Bienal. O violoncelista William Teixeira, participante do painel de música mista, ministra no dia 13 a masterclass Novas poéticas com agentes composicionais.
Antes do início oficial da Bienal, no dia 30 de setembro, o contrabaixista Yann Dubost, integrante do Ensemble L’Itinéraire, conduz outra masterclass.
Uma orquestra de alto-falantes
Um dos elementos centrais da Bimesp é a estrutura tecnológica utilizada para a difusão das obras. O evento conta com o PUTS — PANaroma/Unesp: Teatro Sonoro, sistema criado em 2002 por Flo Menezes junto ao Studio PANaroma da Unesp, com apoio da Fapesp.
Com aproximadamente 60 alto-falantes em sua configuração atual, o sistema permite distribuir espacialmente os sons pelo ambiente, transformando o próprio espaço de apresentação em parte da experiência musical.
A proposta amplia uma das características fundamentais da música eletroacústica: a possibilidade de trabalhar não apenas com timbres, texturas e estruturas musicais, mas também com a localização e o movimento do som dentro de um determinado espaço.
Ao reunir obras históricas, novas criações, apresentações internacionais, atividades educativas e tecnologia de difusão sonora, a XVI Bienal de Música Eletroacústica apresenta uma programação dedicada a diferentes maneiras de pensar e experimentar a música contemporânea.
