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Just Mustard – Entre o ruído e a euforia luminosa

Formada em Dundalk, na Irlanda, a banda é composta por Katie Ball (vocais), David Noonan (guitarra e vocais de apoio), Mete Kalyoncuoglu (guitarra), Rob Clarke (baixo) e Shane Maguire (bateria). A mistura intensa de noise, trip-hop e influências eletrônicas ajudou o Just Mustard a construir uma reputação como uma das bandas mais emocionantes da nova cena irlandesa — tanto ao vivo quanto em estúdio.

O álbum de estreia do grupo, Wednesday (2018), rendeu elogios dentro e fora da Irlanda e garantiu ao quinteto uma indicação ao Choice Music Prize de Álbum Irlandês do Ano. Já em 2021, o Just Mustard anunciou sua assinatura com a Partisan Records — casa de nomes como Idles, Fontaines D.C. e Cigarettes After Sex — para o lançamento de seu segundo trabalho, Heart Under (2022). Produzido pela própria banda e mixado por David Wrench (colaborador de Frank Ocean, The XX e FKA twigs), o álbum consolidou o grupo como uma das forças mais criativas e imprevisíveis do rock contemporâneo.

Com o terceiro álbum de estúdio, We Were Just Here, o quinteto irlandês Just Mustard dá um salto ousado: de suas raízes sombrias no noise e no shoegaze para um território onde o caos se transforma em catarse e o ruído se abre para uma euforia quase dançante. É o som de uma banda que aprendeu a encontrar luz dentro da escuridão — e, ao fazê-lo, cria o seu trabalho mais expansivo e emocional até agora.

I don’t wanna go where I can’t feel a thing, I just wanna make it feel good”, canta Katie Ball em “Dreamer”, sintetizando o espírito do álbum: sentir tudo, mesmo quando o mundo parece desabar. É uma busca sincera por intensidade, e We Were Just Here entrega exatamente isso — uma avalanche de guitarras, batidas pulsantes e atmosferas que alternam entre o sonho e o desespero.

Desde o álbum de estreia Wednesday (2018) — que rendeu à banda uma indicação ao Choice Music Prize — até o sombrio e caleidoscópico Heart Under (2022), o Just Mustard vem refinando sua estética: guitarras dissonantes, vocais etéreos e uma tensão constante entre melodia e ruído. Mas agora, sob a produção de David Wrench (conhecido por trabalhos com FKA twigs, Frank Ocean e Sampha), o grupo encontra um novo tipo de energia: uma pulsação quase clubber, sem perder o toque experimental.

Faixas como “Pollyanna” e “Endless Deathless” soam como My Bloody Valentine em um ataque de adrenalina — psicodelia de pista, distorção e melancolia coexistindo em perfeita harmonia. Já “That I Might Not See” e “Silver” exploram texturas percussivas e densas, enquanto o destaque “We Were Just Here” — que dá nome ao disco — mistura krautrock, dream pop e uma melancolia luminosa, resultando em algo quase transcendental.

Após ser escolhido pessoalmente por Robert Smith para abrir os shows do The Cure na América do Sul em 2023 e nas grandes arenas europeias no verão seguinte, o Just Mustard parece ter absorvido um pouco do espírito gótico e emotivo dos seus ídolos — e o canaliza em um som que é tão visceral quanto radiante.

O resultado é um álbum que brilha dentro da escuridão: um convite à catarse, ao movimento, e à redescoberta do prazer de sentir. We Were Just Here é uma expansão emocional e sonora — um registro de transição, amadurecimento e libertação.

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