Yndling busca um mundo analógico em seu álbum mais intenso e confessional
Combinando trip-hop e shoegaze em uma mistura densa e encantatória, a artista norueguesa Yndling retorna com Time Time Time (I’m In The Palm Of Your Hand), seu segundo álbum – um mergulho deliberado em um universo analógico, tenso e emocionalmente expansivo. Silje Espevik, a mente por trás do projeto, carrega no próprio nome artístico o conceito de devoção: “yndling”, em norueguês, significa “favorita”. E seu novo trabalho soa exatamente como isso — uma homenagem afetiva aos subgêneros dos anos 90 que moldaram sua sensibilidade.
Radicada em Oslo, Yndling constrói sua sonoridade a partir do diálogo entre o ruído etéreo do shoegaze, os beats sombrios do trip-hop e a introspecção vaporosa do dream pop. Portishead, Massive Attack, Beach House e Mazzy Star são bússolas emocionais perceptíveis, mas nunca prisões estéticas. Em Time Time Time, ela finalmente dá espaço à escuridão que antes permanecia polida demais em suas gravações.
O álbum nasceu dividido: um lado entregue ao peso nebuloso das guitarras, outro às pulsações lentas e texturizadas do trip-hop. Tudo conectado por um fio contínuo — a busca de Espevik por capturar as diferentes interpretações e papeis que assumimos nos relacionamentos ao longo da vida. Essa fluidez identitária atravessa faixas como “It’s Almost Like You’re Here”, “Even If It’s a Lie (I Don’t Mind)” e “You Know I Hate It (How The World Moves On)”.
Criado ao longo de dois anos, entre um estúdio caseiro abafado durante uma onda de calor e longas sessões de experimentação com o co-produtor Adrian Einestor Sandberg, Time Time Time deliberadamente troca o acabamento brilhante do debut Mood Booster por uma textura mais crua. É um disco que respira, hesita, treme — como as próprias emoções que Yndling transforma em canção.
Para além da estética 90s, a artista também mira referências contemporâneas, como Erika de Casier e Geese, enquanto lamenta a perda de uma relação mais física e comprometida com a música. Seu desejo é claro: um mundo mais analógico, onde descobertas acontecem devagar e a conexão com os artistas permanece.
Agora prestes a embarcar em sua primeira turnê europeia como headliner, Yndling revela uma confiança renovada em sua própria vulnerabilidade. Time Time Time marca sua fase mais ousada — menos sobre replicar o passado e mais sobre expandir as fronteiras entre ruído, silêncio e sentimento. É um convite para caminhar no frio do inverno, fones no ouvido, enquanto a música guia o corpo e a mente rumo a um lugar de profunda identificação.
