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Ploho retorna ao Brasil com turnê de seis shows e reafirma a força do pós-punk nascido no coração da Sibéria

Em um momento em que o pós-punk continua conquistando novas gerações ao redor do mundo, a banda russa Ploho prepara seu retorno ao Brasil para uma extensa turnê de seis apresentações em novembro de 2026. O grupo passará por São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Belém, consolidando uma relação cada vez mais forte com o público brasileiro.

A excursão faz parte da turnê latino-americana promovida pela GOS Concerts, em parceria com a Xaninho Discos no Brasil, e acontece dois anos após a primeira visita da banda ao país, quando realizou um show único em São Paulo em 2024.

Formada em 2013 na cidade de Novosibirsk, uma das maiores metrópoles da Sibéria, a Ploho surgiu distante dos tradicionais centros culturais russos de Moscou e São Petersburgo. Essa condição geográfica acabou moldando não apenas a identidade do grupo, mas também sua sonoridade característica.

Com linhas de baixo hipnóticas, guitarras melancólicas, sintetizadores discretos e vocais carregados de melancolia, a banda construiu uma obra que dialoga com o isolamento, a memória, a alienação urbana e as transformações sociais da Rússia contemporânea.

O próprio nome da banda ajuda a entender sua estética. Em russo, “Ploho” pode ser traduzido como “mal”, “ruim” ou “não está bem”, uma definição que combina perfeitamente com a atmosfera fria e introspectiva presente em suas composições.

Embora frequentemente comparada aos compatriotas do Molchat Doma, além de nomes como Motorama e Human Tetris, a Ploho desenvolveu uma personalidade própria ao longo dos anos.

Sua música bebe diretamente da tradição do rock russo dos anos 1980, especialmente da influência de Kino e de seu lendário líder, Viktor Tsoi. Ao mesmo tempo, incorpora elementos da new wave soviética e do pós-punk europeu sem abrir mão do idioma russo, um aspecto que contribui para a autenticidade de sua proposta artística.

O reconhecimento internacional ganhou força a partir da segunda metade da década passada. Em 2020, a banda assinou contrato com a Artoffact Records, selo canadense conhecido por seu catálogo voltado ao pós-punk, darkwave e música industrial.

A partir daí, o grupo ampliou significativamente sua presença internacional, passando a realizar turnês frequentes pela Europa e América Latina.

A discografia da banda demonstra uma evolução consistente. Entre os trabalhos mais importantes estão Куда птицы улетают умирать (Where the Birds Fly Away to Die), lançado em 2018, e Пыль (Dust), de 2019.

Mas foi com Почва (Soil), de 2024, que a Ploho alcançou um novo patamar artístico.

O álbum mantém todos os elementos clássicos do grupo — baixo pulsante, guitarras atmosféricas e vocais graves — mas amplia seu escopo temático. Questões como desgaste social, crise ambiental, sobrevivência emocional e críticas ao sistema econômico aparecem de forma mais explícita, tornando o disco um retrato das incertezas contemporâneas.

Em vez de apenas revisitar a estética dos anos 1980, a banda utiliza o pós-punk como ferramenta para interpretar o presente.

A história recente da Ploho também foi profundamente impactada pelos acontecimentos políticos que transformaram a região nos últimos anos.

Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, os integrantes deixaram o país e passaram a desenvolver suas atividades no exterior. Apesar da mudança geográfica, a banda manteve o idioma russo como principal ferramenta de expressão artística.

Esse deslocamento acabou adicionando novas camadas às composições do grupo. O sentimento de pertencimento, perda, memória e identidade, sempre presente em sua obra, tornou-se ainda mais intenso.

O vocalista e guitarrista Viktor Uzhakov já comentou em entrevistas que a experiência de viver longe da Sibéria alterou sua percepção sobre temas sociais e emocionais, algo perceptível nos lançamentos mais recentes.

Ao vivo, a Ploho evita os excessos típicos de muitas bandas contemporâneas.

Sua força está justamente na contenção. As músicas evoluem lentamente, sustentadas por linhas de baixo repetitivas, batidas minimalistas e melodias que crescem de forma gradual até criar uma atmosfera quase hipnótica.

É uma experiência mais baseada em tensão e imersão do que em explosões de energia, característica que transformou o grupo em um dos nomes mais respeitados do circuito pós-punk internacional.

A passagem pelo Brasil acontece em um momento especialmente ativo da carreira. Em 2025, a banda lançou uma edição expandida de Pochva, com demos e faixas inéditas. Já em 2026, disponibilizou Dobrolet Sessions e apresentou novos singles, incluindo “Плохо с тобой”, ampliando ainda mais seu repertório recente.

Para os fãs brasileiros de pós-punk, darkwave e música alternativa do Leste Europeu, a turnê representa uma rara oportunidade de assistir a uma das bandas mais relevantes surgidas na cena pós-soviética nos últimos anos.

Datas da turnê brasileira

02/11 – São Paulo (SP)
Madame Underground Club

04/11 – Curitiba (PR)
Basement Cultural

05/11 – Florianópolis (SC)
Desgosto Bar

06/11 – Porto Alegre (RS)
Ocidente

07/11 – Rio de Janeiro (RJ)
Teatro Odisséia

08/11 – Belém (PA)
Studio Pub

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