Warner Music adquire startup Sureel AI para proteger músicas e direitos autorais na era da inteligência artificial
A Warner Music Group (WMG) anunciou a aquisição da Sureel AI, startup especializada em monitorar e proteger conteúdos criativos contra o uso não autorizado por plataformas de inteligência artificial generativa. Os valores da negociação não foram divulgados.
Fundada em 2022, a Sureel desenvolveu uma tecnologia proprietária chamada “AI DNA”, capaz de rastrear como músicas, vozes, imagens, performances e outros ativos de propriedade intelectual são utilizados no treinamento e funcionamento de modelos de IA.
A plataforma permite que artistas, compositores e detentores de direitos acompanhem, por meio de um painel de controle, quando e de que forma suas obras estão sendo utilizadas, criando condições para que possam ser devidamente remunerados.
Apesar da aquisição, a Sureel continuará operando como uma empresa independente.
Segundo o fundador e CEO Tamay Aykut, a união com a Warner permitirá ampliar significativamente o alcance da tecnologia.
“Os detentores de direitos merecem saber como a inteligência artificial interage com suas obras e participar de forma justa do valor gerado por elas. A Sureel foi criada exatamente para tornar isso possível.”
Tecnologia para proteger artistas
Além de rastrear conteúdos utilizados por sistemas de IA, a tecnologia da Sureel busca garantir maior transparência sobre o uso de propriedades intelectuais, incluindo:
- músicas;
- gravações;
- vozes;
- imagem e aparência;
- performances;
- identidade artística.
A empresa reúne profissionais experientes da indústria musical, entre eles Benji Rogers, cofundador da PledgeMusic, Aileen Crowley, ex-executiva da Universal Music, e Michael Pelczynski, que já atuou na Warner Music e no SoundCloud.
Warner amplia estratégia em inteligência artificial
Para o CEO da Warner Music Group, Robert Kyncl, a inteligência artificial representa tanto um enorme potencial comercial quanto um desafio para a proteção dos criadores.
Segundo o executivo, incorporar a Sureel fortalece a capacidade da gravadora de proteger, controlar e monetizar os direitos relacionados às obras musicais, além de preservar elementos como nome, voz, imagem e identidade dos artistas.
Mudança de postura diante da IA
Nos últimos anos, a Warner Music alterou significativamente sua estratégia em relação à inteligência artificial.
Em 2024, a companhia processou a plataforma de geração musical Suno, acusando-a de utilizar obras protegidas por direitos autorais sem autorização.
Meses depois, porém, as duas empresas chegaram a um acordo e firmaram um contrato de licenciamento para permitir o uso autorizado do catálogo da Warner no treinamento dos modelos da plataforma. Enquanto isso, Sony Music e Universal Music Group continuam mantendo ações judiciais contra a Suno.
A Warner também firmou uma parceria com a Stability AI para desenvolver ferramentas baseadas em inteligência artificial voltadas à criação musical, demonstrando uma estratégia que busca equilibrar inovação tecnológica com mecanismos de licenciamento e remuneração dos artistas.
Com a aquisição da Sureel AI, a empresa reforça sua aposta em um futuro no qual a inteligência artificial faça parte da indústria musical, mas com maior transparência, controle e proteção para os criadores.
